Após morte de homem negro, prefeita de Atlanta anuncia reforma da polícia

Em Nova York, unidade anticrime de policias à paisana é eliminada

São Paulo

Depois de um agente branco matar a tiros um homem negro na sexta (12), em Atlanta, a prefeita Keisha Lance Bottoms ordenou uma reforma da polícia local.

Bottoms disse que emitirá ordens exigindo que os oficiais mudem a maneira de lidar com as ocorrências e que policiais intervenham no caso de presenciarem uso excessivo de força por um colega.

Ela afirmou esperar que o novo modelo seja um parâmetro para a cidade e possivelmente para o país.

Em entrevista coletiva nesta segunda (15), Bottoms afirmou que, após a morte de Rayshard Brooks, não se pode esperar que um conselho consultivo apresente recomendações para reformar a polícia. "Ficou claro que não temos mais um dia, um minuto, uma hora a perder."

Brooks foi morto com um tiro no estacionamento de uma filial da rede Wendy’s. O confronto com a polícia ocorreu depois que os oficiais foram chamados ao local devido a um relato de que ele havia adormecido na fila do drive-thru.

Protesto em frente ao restaurante Wendy's onde um homem negro foi morto por um policial branco, em Atlanta; 'pare de nos matar', diz o cartaz
Protesto em frente ao restaurante Wendy's onde um homem negro foi morto por um policial branco, em Atlanta; 'pare de nos matar', diz o cartaz - Elijah Nouvelage - 14.jun.20/AFP

Os policiais tentaram prendê-lo após um teste de embriaguez, no qual foi reprovado, mas Brooks resistiu.

Um vídeo gravado por uma testemunha mostra o homem lutando com dois oficiais no chão antes de se libertar e atravessar o estacionamento, segurando o que parece ser um “taser” —arma de choque— de um dos agentes.

Um segundo vídeo, com imagens das câmeras do restaurante, exibe a vítima se virando enquanto corre, e possivelmente apontando o "taser" para os policiais que o perseguiam. Um dos policiais dispara a arma e, em seguida, Brooks cai no chão. Médicos legistas determinaram que a causa da morte foi homicídio.

O departamento de polícia demitiu Garrett Rolfe, o agente que atirou e matou Brooks​.

"Estamos cansados e frustrados. Mas o mais importante é que estamos com o coração partido, por isso precisamos de justiça para Rayshard Brooks", disse sua prima, Tiara Brooks.

Mais de mil pessoas marcharam em Atlanta nesta segunda, pedindo justiça por afro-americanos mortos pela polícia.

Nova York desmantela unidade anticrime

A 1.400 km de Atlanta, o Departamento de Polícia de Nova York determinou a transferência imediata de cerca de 600 policiais à paisana para novas funções, incluindo o policiamento de bairros e tarefas de investigação.

Esse efetivo fazia parte da unidade anticrime, que está sendo desmantelada. A divisão é muito criticada por minorias por sua brutalidade.

O anúncio foi feito pelo comissário de polícia, Dermot Shea, também nesta segunda. “Essa é uma mudança sísmica na cultura de como a polícia de Nova York faz a segurança desta grande cidade. Isso será sentido imediatamente nas comunidades que protegemos”, acrescentou.

A polícia de Nova York, o maior efetivo do país, segue contando com o trabalho de policiais à paisana.

A transferência em massa, que segue uma série de projetos de revisão de normas policiais assinadas na semana passada pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, foi projetada para modernizar a polícia da cidade, que tem uma equipe uniformizada de mais de 36 mil oficiais.

Ao desmantelar a unidade anticrime, que persegue proativamente os criminosos de rua, Shea disse que espera recuperar o apoio em bairros alienados pelas táticas grosseiras da unidade.

Os desdobramentos deste início de semana são reflexos das grandes manifestações que tomaram conta das ruas das principais cidades dos EUA desde o fim de maio.

Elas foram uma resposta à morte, em Minneapolis, de George Floyd, um homem negro asfixiado em 25 de maio após um oficial branco se ajoelhar no seu pescoço por quase nove minutos enquanto o detinha.

A principal pauta dos manifestantes é o fim do uso excessivo de violência policial em relação a negros.

Com Reuters

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