Palco de disputa EUA-Irã, Iraque prende milícia pró-Teerã pela primeira vez

Operação visa grupo Kataib Hizbollah, suspeito de disparar foguetes contra embaixadas estrangeiras

Bagdá | AFP e Reuters

As forças de segurança iraquianas invadiram o reduto de uma milícia pró-Irã no sul de Bagdá e detiveram 14 pessoas nesta quinta-feira (25), segundo autoridades do governo e fontes paramilitares ouvidas pela agência de notícias Reuters.

É a primeira vez que o Iraque —palco de disputas entre o Irã e os EUA— promove uma ação contra um dos lados do conflito.

A operação teve como alvo o grupo Kataib Hizbollah, suspeito de disparar foguetes contra embaixadas estrangeiras na fortificada Zona Verde de Bagdá e no aeroporto da cidade.

A milícia também é acusada pelos americanos de promover ataques nas últimas semanas contra bases e outras instalações dos EUA no país.

Membro das forças de segurança iraquianas protege embaixada dos EUA em Bagdá, após vandalismo por apoiadores de forças paramilitares - Ahmad Al-Rubaye - 1.jan.20 / AFP

A operação foi conduzida por uma unidade de elite do serviço antiterrorismo iraquiano, treinada pelos americanos.

Após a operação, homens armados não identificados partiram em veículos em direção a prédios do governo, exigindo a libertação dos milicianos detidos, relataram fontes ouvidas pela Reuters.

Desde outubro do ano passado, houve pelo menos 33 ataques contra soldados ou diplomatas americanos no Iraque. Os atentados receberam pouca atenção do antigo governo iraquiano, que alegou não ter sido capaz de encontrar os responsáveis.

Mas o novo primeiro-ministro do país, Mustafa Al-Khadimi, eleito em março, prometeu ser firme em relação a esses eventos.

Embora tenha assumido o cargo com apoio de Teerã e de Washington, a disputa entre os dois países por influência no Iraque ameaça agravar a violência na região.

Em janeiro, a tensão escalou quando os EUA mataram, em solo iraquiano, em um ataque com drones, o principal líder militar do Irã, o general Qassim Suleimani.

Os partidos e facções apoiados pelo Irã têm mostrado crescente hostilidade em relação ao governo de Kadhimi, que deve viajar aos EUA nas próximas semanas para negociar a relação com Washington.

O governo americano vem reduzindo a presença no país de tropas encarregadas principalmente de combater militantes do Estado Islâmico Muçulmano Sunita —​um inimigo comum de Bagdá, Washington, Teerã e das milícias xiitas apoiadas pelo Irã.

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