Angola manda fechar templos da Igreja Universal, acusada de fraude

No último ano, quase 300 bispos angolanos se afastaram de liderança brasileira

Luanda | AFP

A Justiça de Angola mandou fechar diversos templos que pertencem à Igreja Universal do Reino de Deus, acusada de fraude e de atividades criminosas no país do sudoeste africano.

A Universal tem oito milhões de membros no Brasil e está presente em mais de cem países no mundo. Na África, possui igrejas em ao menos 12 países.

No último ano, quase 300 bispos angolanos da Universal se afastaram da liderança brasileira, denunciando práticas contrárias à realidade do país e da África e acusando a igreja de sonegação fiscal.

O bispo Edir Macedo realiza culto na praça Jardim do Méier, no Rio de Janeiro - Danilo Verpa - 8.jul.17/Folhapress

As denúncias levaram a Procuradoria Geral de Angola a abrir, em dezembro, um processo penal contra a Universal. Na sexta (14), o procurador-geral Álvaro da Silva João anunciou o fechamento de sete templos.

“A medida foi adotada porque nos autos há indícios suficientes da prática de delitos como associação criminosa, fraude fiscal, exportação ilícita de capitais, abuso de confiança e outros atos ilegais”, afirmou o procurador, em comunicado.

As autoridades da Universal não comentaram o fechamento dos templos. A igreja já havia negado anteriormente as acusações dos bispos angolanos, que chamou de difamatórias.

A tensão aumentou em junho, quando um grupo de ex-membros da igreja assumiu o comando de mais de 80 templos na capital, Luanda, e em províncias próximas.

Fundada pelo bispo evangélico Edir Macedo em 1977, a igreja já foi alvo de polêmica por suposta participação em atividades ilícitas em outros países, incluindo denúncias de redes de adoção ilegal em Portugal e em outros países de língua portuguesa.

Macedo, dono de uma grande fortuna graças à organização, chegou a ser detido em 1992 sob acusações de charlatanismo e estelionato, que depois foram anuladas.

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