Descrição de chapéu Coronavírus

Fotógrafo expõe luta de colombianos contra a fome e o coronavírus

Com medidas de isolamento social há quase cinco meses, país enfrenta pico da pandemia

Grupo de pessoas faz fila com distanciamento social fora de um centro médico em Medellín Federico Rios

Federico Rios
Medellín

Comecei a fotografar a pandemia em Medellín no começo de março, em uma pauta para o jornal americano The New York Times. As ruas estavam vazias, e as pessoas, com medo, seguindo estritos protocolos de segurança.

Aos poucos, o pouco dinheiro dos colombianos se esgotou, e a situação os empurrou violentamente para um terrível paradoxo: morrer de 
fome ou se expor à Covid- 19.

Após quase cinco meses de isolamento, os colombianos enfrentamos o pico da pandemia. Na quarta (12), registraram-se 362 mortes por coronavírus, o que põe a Colômbia, nos últimos 40 dias, como um dos dez países com mais mortes diárias confirmadas.

O governo impõe restrições à mobilidade desde o dia 24 de março. Desde então, a Colômbia se prepara para o pico da pandemia, e a realidade hoje contrasta com o 
otimismo dos governantes.

Sob o slogan “fique em casa”, o governo tenta fazer com que a população não saia de casa, controlando o desenvolvimento da pandemia e evitando que as UTIs ficassem lotadas. Mas os bolsos do país não 
aguentam o isolamento.
Diversos negócios pequenos fecharam, médios e grandes quebraram, restaurantes, hotéis e todo o setor de turismos e muitos outros serviços estão em ruínas. Da pandemia salvam-se apenas os que não têm de trabalhar e podem ficar em casa vivendo 
de suas poupanças por meses.

Ao percorrer Medellín outra vez, agora para a Folha, apenas encontrei rostos de angústia e desespero, fome e medo.

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