Descrição de chapéu Governo Trump

Trump nega ter chamado veteranos de perdedores e otários

Segundo revista, oficiais e assessores relatam comentários depreciativos do presidente sobre militares

Belo Horizonte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez repetidos comentários depreciativos sobre membros das Forças Armadas americanas que foram capturados ou mortos, relatou a revista The Atlantic nesta quinta-feira (3).

Em um dos episódios, Trump se referiu aos militares enterrados no Cemitério Americano Aisne-Marne em Belleau, na França, como "perdedores" e "otários”.

Nesta sexta (4), o presidente negou veementemente as afirmações e disse que a reportagem é totalmente falsa.

“Se realmente existem pessoas que teriam dito isso, elas são vilãs e mentirosas”, disse Trump. “E eu estaria disposto a jurar por qualquer coisa que nunca disse aquilo sobre nossos heróis. Não há ninguém que os respeite mais. Que animal diria tal coisa?”

O presidente americano, Donald Trump, coloca coroa de flores no Túmulo dos Desconhecidos no Cemitério Nacional de Arlington, durante o Memorial Day de 2017
O presidente americano, Donald Trump, coloca coroa de flores no Túmulo dos Desconhecidos no Cemitério Nacional de Arlington, durante o Memorial Day de 2017 - Nicholas Kamm - 29.mai.17/AFP

Autoridades do Departamento de Defesa disseram que Trump fez os comentários enquanto insistia para não realizar uma visita ao cemitério durante uma reunião em 10 de novembro de 2018.

Funcionários do Conselho de Segurança Nacional e do Serviço Secreto disseram ao presidente que o tempo chuvoso tornava a viagem de helicóptero arriscada, mas que o voo era viável.

Trump respondeu dizendo que não queria visitar o cemitério porque ele estava cheio de perdedores e porque não queria bagunçar seu cabelo, segundo um oficial que falou sob condição de anonimato. À época, a Casa Branca atribuiu o cancelamento da visita ao mau tempo.

Em outra conversa sobre a viagem, relatou a revista, o presidente americano se referiu aos 1.800 fuzileiros navais que morreram na Batalha de Belleau, na Primeira Guerra Mundial, como otários.

Os oficiais da Defesa também citaram uma visita feita por Trump e por seu então chefe de gabinete, John Kelly, ao túmulo do filho deste —Robert Kelly morreu em 2010 enquanto servia no Afeganistão. Na ocasião, Trump disse ao seu assessor: “Eu não entendo. O que eles ganhavam com isso?"

A visita ocorreu no Memorial Day de 2017, feriado que homenageia os americanos mortos em combate.

O candidato democrata à Presidência, Joe Biden, disse em um evento de campanha em Delaware nesta sexta que os comentários de Trump são "nojentos", e que mostram que o republicano não tem condições de ser presidente.

"Se for verdade, o presidente precisa se desculpar com todas as famílias de veteranos que ele insultou. Quem ele pensa que é?", disse o democrata.

A revista The Atlantic, citando fontes com conhecimento de primeira mão, e um oficial sênior do Corpo de Fuzileiros Navais também relataram que Trump disse que não queria apoiar o funeral do senador republicano John McCain, um veterano condecorado da Marinha que passou anos como prisioneiro de guerra do Vietnã, porque ele era um perdedor.

McCain, um dos nomes mais influentes do partido de Trump, morreu em agosto de 2018 de câncer. O presidente não compareceu ao funeral.

A Atlantic também relatou que Trump ficou furioso com o fato de as bandeiras terem sido hasteadas a meio mastro para McCain, dizendo: “Por que diabos estamos fazendo isso? Esse cara era um perdedor de merda”.

Em 2015, pouco depois de lançar sua candidatura presidencial, Trump criticou publicamente o senador, dizendo "Ele não é um herói de guerra". E acrescentou: “Gosto de pessoas que não foram capturadas”.

A revista relatou também que Trump se referiu ao ex-presidente George H.W. Bush (1989-1993) como um perdedor porque a aeronave que pilotava durante a Segunda Guerra Mundial foi abatida pelas forças japonesas.

A reportagem da Atlantic vem em um momento em que estatísticas apontam que o líder republicano tem perdido apoio entre os militares. Uma pesquisa divulgada na última segunda-feira (31) aponta que a proporção de membros das Forças Armadas que avalia positivamente o governo Trump caiu de 46,1%, em 2016, para 37,8% neste ano.

Já os que militares que se consideram desfavoráveis ao presidente eram 37% quando Trump foi eleito para o primeiro mandato e atualmente são 49,9%.

O levantamento realizado pelo jornal Military Times na Universidade Syracuse, em Nova York, ouviu 1.018 militares da ativa, dos quais 41,3% manifestaram intenção de voto em Joe Biden.

Os que pretendem votar em Trump são 37,4%, enquanto 12,8% votarão em outros candidatos e 8,5% não vão participar das eleições. Segundo o Military Times, os resultados da pesquisa "parecem minar as afirmações do presidente de que seu apoio entre os militares é forte."

Em entrevista ao jornal, Peter Feaver, cientista político da Universidade Duke e ex-conselheiro da Casa Branca durante o governo Bush, afirmou que, neste ano, "Trump não pode alegar ter um apoio esmagador nas Forças Armadas".

“É justo dizer que Trump não é tão popular quanto os indicados republicanos foram no passado entre este grupo”, disse Feaver.

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