EUA alertam Rússia de que haverá consequências caso opositor de Putin morra

Alexei Navalni está em estado grave após fazer greve de fome, segundo seus médicos

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Washington e Moscou | AFP

Os EUA e a União Europeia aumentaram a pressão sobre a Rússia neste domingo (18) devido às más condições de saúde de Alexei Navalni, principal opositor de Putin, detido em uma colônia penal.

Navalni, 44, começou uma greve de fome em 31 de março e pede acesso a cuidados médicos adequados para suas dores nas costas e problemas de dormência nas mãos e nas pernas. Ele está detido em Pokrov, cerca de 100 km a leste de Moscou, numa prisão conhecida como uma das mais severas do país.

No sábado (17), médicos que acompanham Navalni a distância disseram que ele pode sofrer uma parada cardíaca a qualquer momento, devido à falta de nutrientes em seu corpo.

O opositor Alexei Navalni durante julgamento, em fevereiro
O opositor Alexei Navalni durante julgamento, em fevereiro - Maxim Shemetov/Reuters

"Haverá consequências se Navalni morrer", afirmou o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, à rede de notícias CNN, e Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, ressaltou que as autoridades russas são responsáveis pela saúde do opositor. No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já havia classificado a situação do opositor como totalmente injusta.

A União Europeia também se posicionou. O comando do bloco disse estar profundamente preocupado e pediu a libertação imediata de Navalni. Na segunda, os chanceleres da UE vão discutir a situação do opositor e que medidas podem ser tomadas. "O mundo inteiro está falando de Alexei. E apenas Putin e os médicos da prisão fingem que não há nada errado", disse no Twitter a porta-voz do opositor, Kira Iarmich.

Não houve reação imediata do Kremlin, embora o embaixador russo em Londres, Andrei Kelin, tenha afirmado que "não será permitido que ele morra na prisão". "Mas posso dizer que o senhor Navalni está se comportando como um hooligan", declarou ele à BBC.

A equipe do opositor convocou, no domingo, a realização de grandes protestos na Rússia para ajudar a salvar a vida dele. As mobilizações estão programadas para a noite de quarta-feira, horas após o presidente Vladimir Putin proferir seu discurso anual sobre o estado da nação, diante do Parlamento.

As autoridades, no entanto, aumentaram a pressão sobre os apoiadores de Navalni. Mais de 10 mil manifestantes foram detidos entre janeiro e fevereiro. Na sexta-feira (16), promotores russos pediram a um tribunal que considerasse a fundação anticorrupção de Navalni e sua rede de escritórios regionais como organizações extremistas, uma medida que visa impedir a atuação dessas instituições na Rússia e que pode levar à prisão de seus membros e até mesmo de seus partidários.

Um site criado pela oposição há algumas semanas para registrar os cidadãos que querem se manifestar contabilizava cerca de 460 mil pessoas no domingo.

Navalni foi preso ao retornar à Rússia, após vários meses na Alemanha, onde se recuperava de um envenenamento pelo qual culpa as autoridades russas. Ele é acusado formalmente de violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, ainda que a saída tenha ocorrido sob justificativa médica —ele estava em coma. O opositor teve uma sentença de prisão por fraude comutada em 2014, em uma ação que classifica como perseguição judicial.

Embora nominalmente independente, o Judiciário russo é alinhado ao Kremlin.

A Justiça do país confirmou no mês passado a sentença do ativista. No total, ele foi condenado a três anos e meio de prisão, dos quais já cumpriu dez meses em regime domiciliar.

Antes de entrar em greve de fome, ele disse que estava sendo privado de sono por guardas que o acordavam a cada hora durante a noite. Autoridades do presídio não negaram que a prática esteja sendo adotada, mas disseram que ela é necessária por haver risco de fuga.

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