Descrição de chapéu China Ásia

Abusos e o #MiTu como resposta na China

Leia a edição completa da newsletter China, terra do meio

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Rio de Janeiro

Esta é a edição da newsletter China, terra do meio. Quer receber ela todas as sextas no seu email? Se inscreva abaixo.

Siga o conteúdo sobre China no blog e em folha.com/china.



O movimento #MeToo continua a responsabilizar homens famosos por má conduta sexual na China. Dessa vez o alvo foi o apresentador da Hunan Satellite TV Qian Feng. À frente de vários programas de variedades, ele era conhecido por fazer piadas de cunho sexual e comentários machistas na televisão.

Feng se tornou centro de uma enorme polêmica depois de uma mulher identificada na internet como Xiao Yi divulgar no Weibo (espécie de Twitter chinês) como foi abusada sexualmente pelo famoso em 2019.

Xiao contou que, ao aceitar jantar com o apresentador em Xangai, foi insistentemente encorajada a consumir uma quantidade excessiva de álcool até perder a consciência. No dia seguinte, acordou nua no apartamento de Qian, sem se lembrar do que aconteceu após o jantar. Segundo ela, o apresentador assumiu o abuso e disse ter resistido e usado preservativo com ela.

Qian teria oferecido dinheiro para que a vítima ficasse calada. Ela não aceitou e procurou a polícia, que se recusou a dar prosseguimento à queixa porque o apresentador "pediu perdão" à sobrevivente. Xiao disse que desenvolveu depressão profunda e tentou cometer suicídio várias vezes depois do ocorrido.

O post no Weibo já recebeu mais de 3 milhões de curtidas. O Departamento de Segurança Pública do distrito de Changning divulgou nota negando que o caso não tenha sido investigado por conta do pedido de desculpas.

Segundo o órgão, não havia provas à época. Xiao questionou o posicionamento, dizendo que o próprio apresentador confessou o crime no depoimento concedido à polícia. Qian foi afastado e as investigações sobre o caso serão reabertas.

Arte chinesa combina os dois elementos idiomáticos para contornar a censura sobre o o movimento Me Too, arroz (?/mi) e coelho (?/tù) - (mitù = me too) - Lü Pin/World Edu

Por que importa: os movimentos feministas e a denúncia de assediadores são severamente reprimidos pelo governo chinês. As redes sociais chinesas chegaram a censurar postagens com citações ao #MeToo. Usuários driblaram o veto usando “#MiTu”, ou “coelhinho de arroz” em mandarim.

Os casos com grande repercussão midiática como o do cantor sino-canadense Kris Wu e o de um diretor Alibaba mostram que ações contra assédio ganharam destaque no país.


o que também importa

A China quer criar um sistema robusto de coleta e resposta a desastres e emergências urbanas. Isso após as tragédias causadas pelas repentinas enchentes em Zhengzhou, capital da província de Henan.

A Tianjin Satcom Geohe Technologies Co., empresa especializada em satélites com sede em Tianjin, anunciou que iniciou a construção de uma constelação de 36 satélites de órbita baixa.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, o primeiro satélite está previsto para ser lançado em junho do ano que vem. O projeto deve ser concluído até maio de 2023. Quando estiver completamente operacional, o sistema vai permitir identificar deformações geológicas, deslizamentos e colapsos com uma precisão de milímetros.


Pequim divulgou um plano de leis para conter práticas abusivas na locação de imóveis. As medidas fazem parte do plano para promover "prosperidade comum" e melhorar o acesso a serviços básicos.

Atualmente, não há regulações nacionais para contratos de aluguel, o que abre espaço para práticas abusivas como a exigência de vários pagamentos com antecedência e barreiras para recuperar a caução após o fim do serviço.

O Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural anunciou mudanças no setor: os proprietários só poderão cobrar um mês de aluguel adiantado, a caução não pode passar do valor referente a um mês e plataformas de leasing serão monitoradas.

O projeto é uma resposta ao escândalo envolvendo o aplicativo Danke Apartment, que locava vários imóveis e depois sublocava a preços menores para uma variedade de inquilinos. Os sublocadores pagavam vários meses de uma só vez para garantir os descontos. Durante a pandemia, a empresa interrompeu o repasse dos valores que recebia dos usuários para os locadores, levando a despejos em série.

Estudantes da Universidade de Xangai estão recebendo um email oficial questionando-os sobre suas orientações sexuais. De acordo com a mensagem, viralizada no Twitter, a direção do estabelecimento diz que está cumprindo “regulamentos relevantes”.

O texto diz que, “se houver estudantes LGBT”, estes devem responder à mensagem detalhando aspectos como orientação sexual ou de gênero (gay, bissexual, lésbica, trans), formação acadêmica, histórico de doenças físicas e mentais, tipo de estudo ou pesquisa científica que estejam conduzindo, relações interpessoais relevantes, entre outros.

O texto ainda demanda informações sobre a "condição ideológica" desses universitários: visões políticas, cotidiano, conexões sociais e planos de vida a longo prazo. A universidade não explicou o motivo da pesquisa. Recentemente, coletivos universitários compostos por LGBTQIA+ têm sido perseguidos no país, com páginas dedicadas ao tema censuradas nas redes chinesas.


fique de olho

A crise no Afeganistão continua causando uma catástrofe humanitária e atraindo a atenção de líderes mundiais. Na última quarta-feira (25), foi a vez de Xi Jinping discutir a questão com o presidente russo, Vladimir Putin. O líder chinês se predispôs a ajudar as “facções afegãs a construir uma estrutura política aberta e inclusiva, se dissociando completamente de todos os grupos terroristas” enquanto Putin apelou por “esforços concentrados na prevenção de riscos à segurança”.

Por que importa: embora russos e chineses compartilhem o temor de que a chegada do Talibã ao poder possa tornar o Afeganistão um abrigo fácil para terroristas, os interesses dos países divergem. Putin parece interessado em ocupar o vácuo de poder deixado pela saída americana, e Xi permanece preocupado com agitações que levem à radicalização de separatistas islâmicos em Xinjiang.


para ir a fundo

  • Em um país com um sistema tão vigiado, parece haver pouco espaço para a rebeldia e a transgressão próprios do rock. O South China Morning Post detalha como a censura e a forte resposta do governo pode estar matando o cenário musical underground chinês (e o quão difícil vai ser reconstruí-lo). (paywall poroso, em inglês)
  • Já falamos por aqui sobre o quão grande é o mercado de jogos para celular na China, mas agora começam a crescer as empresas dedicadas a jogos para consoles. Esta semana, gamers de todo o mundo ficaram impressionados com um gameplay de "Black Myth", aventura baseada na lenda do Rei Macaco e com previsão de lançamento para 2023. (gratuito, em chinês com legendas em inglês)
  • O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) abriu inscrições para o curso de economia chinesa. Com a participação de professores da Universidade Tsinghua —a melhor da China—, o CEBRI vai abordar tendências nas políticas de inovação, percepções de geopolítica, perspectivas econômicas, reformas financeiras e o espaço da China no contexto geral asiático. As aulas começam no dia 22 de setembro e serão on-line. (pago, em inglês)
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.