Biden diz agora que está convencido de que Putin vai invadir a Ucrânia

Americano sobe ainda mais o tom, mas afirma que ainda há caminho para a diplomacia

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Moscou

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira (18) que agora está convencido de que Vladimir Putin decidiu invadir a Ucrânia, atacando não só o leste do país em apoio a separatistas étnicos russos, mas também a capital, Kiev.

O democrata fazia mais um de seus pronunciamentos sobre a crise, o segundo nesta semana, para dizer que havia conversado com líderes europeus e que havia unidade entre os membros da Otan (aliança militar ocidental) e da União Europeia. "O Ocidente está unido", disse.

Biden durante o discurso em que falou sobre o risco de invasão russa da Ucrânia
Biden durante o discurso em que falou sobre o risco de invasão russa da Ucrânia - Kevin Lamarque/Reuters

Foi quando ele repetiu que os russos deveriam escolher entre a guerra e a diplomacia, fazendo um adendo: "Estou convencido de que ele [Putin] tomou a decisão [de invadir]". Foi um momento Biden clássico, de certa indecisão nas palavras, mas então o presidente abriu a possibilidade de ser questionado.

Foi claramente perguntado sobre se era aquilo mesmo que ele queria dizer, e ele confirmou. Depois, ao responder a uma pergunta acerca dos exercícios de capacidade nuclear que Putin irá presidir neste sábado (19), disse não acreditar que isso fosse mais do que propaganda, mas ao mesmo tempo falou: "É difícil ler sua mente".

Até aqui, Biden e outras autoridades diziam ver risco iminente de uma invasão, mas sempre ressaltavam achar que a decisão final não havia sido tomada pelo russo.

O tom um grau acima numa crise que já estourou todos os medidores retóricos do americano parece um ultimato, mas o fato é que a iniciativa está na mão de Putin. Se ele nada fizer, nada acontece. Esse parece o cálculo do presidente russo no momento.

Biden voltou a dizer que acredita que a ação militar contra os ucranianos ocorrerá "na próxima semana, nos próximos dias", mas lembrou que seu secretário de Estado, Antony Blinken, tem um encontro marcado em algum país europeu a definir com o chanceler russo, Serguei Lavrov, no dia 24.

"Se ele agir antes, terá fechado a porta da diplomacia", disse Biden, de forma algo óbvia. "Não estou certo se ele está interessado em diplomacia. Ele acha que tem a habilidade de mudar as dinâmicas na Europa, o que não tem."

Nesta sexta (18), separatistas do Donbass (leste da Ucrânia) acusaram Kiev de ameaçar uma invasão ("Algo que não tem lógica, já que há 150 mil soldados russos em volta", disse Biden) e evacuaram civis da região.

Há o temor de que um pretexto para conflito esteja fermentando aí. "É o manual do que já foi feito antes", afirmou o presidente americano.

Ao mesmo tempo, o democrata voltou a falar que, se houver a agressão russa, ele não enviará tropas para ajudar Kiev —que tem seu apoio, financeiro e na forma de entrega de algumas armas. No sábado, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, irá a Munique encontrar-se com a vice de Biden, Kamala Harris.

Foi duramente criticado em casa por isso. Biden contemporizou, dizendo que é uma questão do colega.

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