'Mesa gigante' de Putin que virou meme já recebeu de premiês a jogadores de futebol

Peça chamou a atenção em reunião com Macron; distância foi simbólica, mas pode ter relação com Covid

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São Paulo

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi à Rússia em missão diplomática para tentar abaixar a temperatura do conflito na Ucrânia, mas, mesmo em meio à tensão, foi um detalhe sobre o ambiente da reunião entre chefes de Estado que acabou despertando a atenção: o tamanho da mesa a que Vladimir Putin se sentou com o convidado.

Cinco metros de uma mesa branca, com três pilares adornados como pé, além de um solitário arranjo de flores ao centro, separavam os dois líderes. A separação ganhou ares ainda mais anedóticos nesta terça (8), quando foi possível compará-la, com o encontro de Macron com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, a um pequeno móvel redondo.

As duas mesas de Macron

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Presidente francês foi recebido em mesa de cerca de 5 metros por Putin e em pequena peça redonda por Zelenski - Thibault Camus/AFP e Sputnik/AFP

A distância entre Putin e o francês gerou especulações de que o russo talvez quisesse mostrar alguma forma de poder. A pandemia, porém, também pode ser um motivo mais trivial do que a simbologia geopolítica. "Não acho que seja intencional, para intimidar. Ele já fez isso com outros líderes", avalia Angelo Segrillo, professor de história da USP especialista em Rússia.

Ele ressalta o peso que teria a notícia de um líder estrangeiro sendo contaminado com a Covid durante uma visita diplomática, o que requer precauções extras —na entrevista coletiva os dois também guardaram certa distância em seus parlatórios.

Neste ano, Putin já usou o móvel, com a mesma disposição, nas visitas do premiê húngaro, Viktor Orbán, e do presidente iraniano, Ebrahim Raisi —em ambas as ocasiões, porém, havia intérpretes sentados ao lado dos líderes.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebe seu contraparte do Irã, Ebrahim Raisi, no Kremlin, em Moscou
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebe seu contraparte do Irã, Ebrahim Raisi, no Kremlin, em Moscou - Pavel Bedniakov - 19.jan.22/Sputnik/Reuters

Com o mandatário do Irã, em 19 de janeiro, Putin falou sobre o fortalecimento dos laços entre os países e ouviu sobre um assunto com o qual talvez até a mesa já esteja familiarizada: a Otan (aliança militar ocidental). "A infiltração da Otan sob qualquer disfarce no Cáucaso e na Ásia Central irá ameaçar os interesses comuns de países independentes", afirmou Raisi sobre o encontro, segundo a Al Jazeera.

Já com o líder da Hungria, em 1º de fevereiro, o encontro girou em torno da importação de gás por parte de Budapeste —além, claro, da mesma aliança do Ocidente. "Fui convencido hoje que as diferenças existentes em posições podem ser pacificadas, e é possível assinar um acordo que garantiria paz, segurança na Rússia e também seria aceitável pelos integrantes da Otan."

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de reunião com primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, no Kremlin, em Moscou
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de reunião com primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, no Kremlin, em Moscou - Mikhail Klimentiev - 1º.fev.22/Sputnik/Reuters

Há registros mais antigos de Putin recebendo de chanceleres a jogadores de futebol na sala com suntuosos lustres, estátuas de bronze, tapete floral e longas cortinas –que foram trocadas de lá para cá.

Em julho de 2018, por exemplo, o presidente russo recebeu estrelas de sua seleção em meio à Copa do Mundo. No ano anterior, a mesa foi o centro da reunião entre Putin e executivos da empresa de óleo e gás OMV, baseada em Viena.

Também entre os anos de 2017 e 2018 foram registradas reuniões com ex-líderes regionais, candidatos à Presidência e personalidades políticas como o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o então secretário de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton.

A disposição, no entanto, era diferente. Eles ficavam frente a frente, mas pelo lado mais próximo da mesa, que por vezes chegou a ter em seu redor 14 pessoas nesses encontros —ocorridos antes da pandemia.

Demonstração de poder ou não, a opção de Putin em um momento em que os olhos do mundo se voltaram para sua reunião com Macron gerou memes na internet.

Houve quem fizesse uma animação como se a suntuosa peça fosse uma gangorra.

Outro usuário publicou uma intervenção num vídeo como se Macron tivesse precisado de um megafone para falar com Putin.

Um usuário russo, por sua vez, reuniu quatro montagens que circularam nas redes sociais, transformando a mesa em uma quadra de badminton e em um rinque de patinação no gelo e colocando entre os participantes a Santa Ceia de Leonardo Da Vinci e o ex-candidato à Presidência Bernie Sanders, no dia da posse de Joe Biden.

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