Descrição de chapéu Previdência União Europeia

Tempo para usufruir de aposentadoria no mundo varia de 2 a 31 anos; veja

Levantamento da OCDE considera expectativa de vida; tema volta à agenda pública com reforma na França

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

A idade para obtenção da aposentadoria, tema em alta em meio à ebulição política na França e em um momento no qual a longevidade desafia a economia, varia —e muito— no mundo.

Dados de 51 nações compilados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que existe uma variação média de dois a 31 anos no tempo que contribuintes usufruem das aposentadorias após deixarem a força de trabalho.

Trabalhadores sindicalizados protestam em Nantes, na França, contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Emmanuel Macron
Trabalhadores sindicalizados protestam em Nantes, na França, contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Emmanuel Macron - Loic Venance - 21.mar.23/AFP

Para o cálculo, a organização mediu a idade para aposentadoria como o momento no qual a pessoa que iniciou sua jornada laboral aos 22 anos poderia deixar de contribuir e obter o benefício. Também é levada em consideração a expectativa de vida média no país em questão.

Na França, palco de discussões sobre uma reforma previdenciária que aumentaria a idade mínima para obter o benefício de 62 para 64 anos, o tempo para usufruir da aposentadoria nas regras atuais é de cerca de 15 anos para os homens e quase 21 anos para as mulheres.

Já os sul-africanos não aproveitam muito seu tempo como aposentados: os homens vivem, em média, apenas dois anos depois de iniciar o recebimento da pensão; e as mulheres, oito. Outros com poucos anos nesse período pós-trabalho são os russos, os letões, os mexicanos, os poloneses e os argentinos.

Os homens brasileiros podem aproveitar cerca de dez anos, em média, seu benefício previdenciário. Já as brasileiras aproveitam mais que o dobro —a diferença entre a idade de aposentadoria para as mulheres no país e a expectativa delas é de 22 anos.

Assim como no Brasil, a tendência nos Estados analisados é de que as mulheres usufruem mais das pensões, por viverem mais do que os homens e terem, em alguns dos casos, menor idade de aposentadoria.

Nos EUA, enquanto os homens usufruem da previdência por cerca de dez anos, as mulheres utilizam do benefício por 14 —enquanto a expectativa de vida deles é de 76 anos, a delas é de quase 81 anos.

Entre os países analisados onde a vida após a aposentadoria pode ser longa estão Arábia Saudita, China, Turquia, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica e Itália —no primeiro, mulheres vivem cerca de 29 anos após deixarem suas ocupações e receberem a Previdência, e os homens, 26.

Isso se deve à baixa idade requerida para parar de trabalhar. Na Turquia, mulheres podem pedir aposentadoria aos 49 anos, e homens, aos 51. Na Arábia Saudita, ambos podem deixar a força laboral aos 47.

Há países com alta expectativa de vida, mas com idades também altas para a utilização do benefício previdenciário, como o caso de Noruega, Islândia, Israel, Holanda e Reino Unido. Estes Estados têm expectativa de vida na faixa dos 80 anos, mas a idade para parar de trabalhar fica entre 65 a 67 anos.

Isso significa que, no caso dos homens, o usufruto das aposentadorias fica em torno dos 14 anos, enquanto, para as mulheres, o patamar fica perto dos 17 anos.

Nas próximas décadas, o aumento de idosos juntamente com a queda do crescimento populacional e a taxa de natalidade nos países mais ricos levará os mais velhos a trabalharem mais tempo, o que, segundo especialistas, não necessariamente é algo negativo.

Com o aumento da longevidade, os idosos serão mais ativos e buscarão preservar o padrão de vida que possuem, seja pela renda ou pela manutenção das atividades cotidianas, contribuindo para a economia. Nas nações com renda mais baixa, porém, o crescimento da população continuará em alta, o que pode acentuar a desigualdade econômica.

Isso implicará uma mudança na chamada razão de dependência, que indica quantas crianças e adolescentes menores de 15 anos e adultos acima de 60 dependerão de pessoas em idade ativa (entre 15 e 60 anos) para manter a atividade econômica e a arrecadação de impostos para programas sociais, educação e saúde públicas e Previdência.

É esse movimento que justifica o desejo de países de aumentar a idade de aposentadoria no futuro, como no caso da França de Emmanuel Macron e do Reino Unido de Rishi Sunak.

Se, por um lado, o dinheiro ficará mais curto para os que optarem por se aposentar mais cedo, por outro a vida se tornará mais longa. Será uma questão de escolha entre ter menos dinheiro no futuro ou trabalhar por mais alguns anos.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.