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Eduardo Calderari: Uma missão de todos

É um desafio garantir o acesso à saúde a todos os brasileiros; fica ainda mais difícil quando o trabalho é feito sem parcerias

Eduardo Calderari

Recentemente pediram-me para resumir em uma frase o que penso sobre o acesso à saúde no Brasil. Refleti sobre a diversidade do país e o princípio da Constituição Federal de que a "saúde é direito de todos", independentemente do município e do poder aquisitivo do cidadão.

Isso significa que é necessário percorrer 8.516.000 km, 47% do território sul-americano, e atingir mais de 200 milhões de pessoas desde comunidades isoladas até os que vivem em grandes metrópoles.

É um desafio contemplar a todos; torna-se ainda mais difícil quando o trabalho é feito sozinho.

População no centro de imunizações do Hospital das Clínicas, na zona oeste da cidade de São Paulo
População no centro de imunizações do Hospital das Clínicas, na zona oeste da cidade de São Paulo - Marcelo Chello/CJPress/Folhapress

Defino acesso como uma ação colaborativa, começando pela conscientização de toda a cadeia de saúde sobre como cada integrante pode contribuir dentro de sua especialidade.

Vale visitar iniciativas internacionais interessantes para sanar alguns dos complexos problemas da saúde. Em comum, elas têm como foco a gestão de recursos adequada às necessidades da população.

Há, por exemplo, o modelo privado, como é o caso dos Estados Unidos, ou o modelo europeu, cujos serviços particulares são financiados pelos governos.

Nossas diferenças socioeconômicas em relação a esses países é gritante, é certo. Mas há boas notícias: nós, do setor privado, estamos arregaçando as mangas, nos colocando à disposição para colaborar com o poder público.

Na ponta que cabe à indústria farmacêutica, abrimos portas para negociações com práticas de descontos que resultaram em incorporações fundamentais.

Desenvolvemos modelos de reembolso personalizado, de risco compartilhado, assegurando que operadoras de saúde paguem apenas por terapias com resultados claros executando, de fato, uma parceria efetiva.

Podemos e devemos colaborar para sanar gargalos regionais, mapeando obstáculos como o baixo nível de informação sobre doenças, o diagnóstico tardio, as estruturas precárias e insuficientes e a crescente falta de recursos.

Por outro lado, o Ministério da Saúde também tem feito um trabalho de mudanças essenciais, como a aprovação de propostas de PDPs de medicamentos inovadores (parcerias para cooperação, de instituições públicas e entidades privadas, para desenvolvimento, transferência e absorção de tecnologia em produtos importantes para atender às demandas do SUS). Precisamos de mais parcerias público-privadas para acelerar processos decisórios.

Sabemos que, em 20 anos, o número de idosos irá quase dobrar. A população acima dos 80 anos aumentará em mais de 150%.

Projeções da OMS (Organização Mundial da Saúde) para 2030 indicam que as principais causas de mortalidade no mundo não serão mais as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares e sim o câncer, já combatido com tecnologias de ponta no setor privado, mas não no público.

Com este cenário, observo a sociedade se aproximando das esferas políticas, usando do poder social, entre outras importantes iniciativas.

Sinal de amadurecimento de uma população disposta a colaborar no que lhe cabe. Faço aqui um convite: vamos exercer a colaboração para fazer a diferença no sistema público de saúde, buscando caminhos para mais qualidade, segurança e acessibilidade a todos, independentemente de onde estiverem.

Eduardo Calderari é diretor de acesso ao mercado, relações governamentais e operações comerciais da Roche Farma Brasil

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