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O rumo da educação

Para diretor da OCDE, Brasil gasta de modo insuficiente e ineficiente no ensino

O diretor do departamento educacional da OCDE, Andreas Schleicher, durante evento, em 2016, em Paris; ele é um dos idealizadores do Pisa
O diretor do departamento educacional da OCDE, Andreas Schleicher, durante evento, em 2016, em Paris; ele é um dos idealizadores do Pisa - Bruno Coutier/AFP

Existem muitas métricas para medir o desempenho do sistema educacional brasileiro, do gasto proporcional ao rendimento de alunos em exames padronizados, porém é ilusão esperar que algum deles, de modo isolado, possa indicar como deixar o pântano de mediocridade que nos rodeia.

Para Andreas Schleicher, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil gasta de modo insuficiente e ineficiente no ensino.

Como se trata de um dos idealizadores do respeitado Pisa, exame que compara o aprendizado de estudantes entre dezenas de países, convém atentar para o que ele diz.

O primeiro ponto de sua assertiva suscita mais debate que o segundo. O país despende cerca de 5% de seu Produto Interno Bruto com educação pública, como a média dos países da OCDE, na maioria ricos. Mas, como há muitos jovens em sua população, o desembolso por aluno seria ainda pouco.

Este, considerando estudantes entre seis e 15 anos de idade, é de cerca de US$ 38 mil (valor ponderado pelo poder de compra da moeda nacional). Segundo estudo da OCDE, um aumento para US$ 80 mil, como praticam outras nações, poderia trazer ganhos significativos de aprendizado.

Dadas as severas restrições orçamentárias de hoje, o valor não soa realista a curto prazo. É evidente, ademais, que as carências do país no setor nem de longe se limitam à escassez de verbas.

A parte a que menos se atenta, no debate nacional, compreende a necessidade de gastar melhor.

A revalorização da carreira de professor, por exemplo, não se esgota em pagar melhores proventos; exige também programas de qualificação técnica do corpo docente e no monitoramento dos resultados em cada classe, escola e região.

De pouco vale despejar recursos públicos no setor sem um projeto bem definido para chegar ao objetivo que todos concordam em alcançar: mudar o patamar de qualidade do ensino nacional, após a bem-sucedida inclusão de meio milhão de crianças e jovens ao sistema entre 2003 e 2015, como bem assinalou Schleicher.

Tal roteiro mal começou a ser definido com a homologação de uma Base Nacional Comum Curricular satisfatória para o ensino fundamental e com a recente reforma do ensino médio (que agora aguarda sua própria BNCC).

Mais persistência e empenho no rumo traçado e menos fé em verbas carimbadas, eis o caminho mais promissor para o ensino no Brasil.

editoriais@grupofolha.com.br

Erramos: o texto foi alterado

O editorial mencionou erroneamente que o gasto público por aluno no Brasil é de US$ 38 mil anuais. A cifra se refere ao período de seis a 15 anos de idade do estudante.

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