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Mark Church, Priscila Torres e Thamila Zaher

Ensinar a lidar com o desconhecido é a potência da educação

Deve-se criar o hábito da experimentação em sala de aula

Mark Church Priscila Torres Thamila Zaher

Quando o tema é a educação atual, há questões transversais que ultrapassam as fronteiras entre as nações. Se, no Brasil, quatro em cada dez professores em sala de aula não têm formação adequada para corresponder sequer às metodologias de ensino do século passado, como mostra o último Censo Escolar, as políticas de formação de professores nos Estados Unidos, na Europa e em vários países da Ásia e da Oceania vêm passando por diversas transformações, a fim de fazer frente à velocidade do mundo digital.

Hoje, aprender significa ter oportunidades; errar; estar em contato com outras pessoas e com suas experiências; aliar prática e teoria; e respeitar ritmos, capacidades e interesses próprios. Para que as salas de aula sejam ambientes ricos de aprendizado aos estudantes, as escolas precisam ser lugares que ensejem a reflexão daqueles que lideram o aprendizado. Logo, a capacitação de professores é o ponto de partida para as mudanças de que a educação tanto precisa.

O professor, um homem branco e careca, de barba, vestido de blazer azul e camisa branca, fala ao microfone em uma palestra
O professor e palestrante norte-americano Mark Church, coautor do livro 'Making Thinking Visible', do Project Zero, da Faculdade de Educação de Harvard, que defende que os professores desenvolvam atividades para incentivar os alunos a pensar e a ter autonomia para utilizar o aprendizado escolar em novas situações - Leandro Martins - 20.fev.19

Os professores lidam diariamente com estudantes em “estado de ebulição”. Nesse contexto de pressão, para que o professor tenha a capacidade de inovação que as escolas tanto buscam, é preciso que estas ofereçam o tempo e o espaço necessários para que os educadores sejam verdadeiros alunos de seus alunos.

É nesse panorama que a formação continuada dos docentes desempenha um papel fundamental tanto para suprir defasagens quanto para atualizar práticas didáticas com novas metodologias, mais engajadas na condução de mudanças que façam a ponte do ensino para a aprendizagem, preparando os alunos para as novas exigências do mundo contemporâneo.

Para introduzir uma nova forma de pensar ao professor, a capacitação, no entanto, não pode vincular-se a processos arcaicos e teóricos.

Fruto de 50 anos de estudo do Project Zero da Universidade de Harvard, a Rotina de Pensamento Visível surgiu da iniciativa de criar o hábito da experimentação em sala de aula. Aplicada a estudantes, a metodologia também pode ser eficaz para professores.

 O objetivo de tornar visível a rotina do pensar é dar condições para que o pensamento se transforme, conectando e ampliando os saberes e trazendo significados a eles. Nesse processo, o professor é convidado a refletir sobre sua rotina de aulas. Em vez de ensinar para as entregas, o educador passa a agir como se estivesse montando um quebra-cabeça em que as peças são as ideias de seus estudantes. Assim, nada estará pronto; ou seja, tudo será construído em conjunto.

As metodologias que se valem das propostas da Rotina do Pensamento Visível são capazes de gerar mudanças que se instauram na educação de dentro para fora, ajudando a desenvolver profissionais prontos para experimentar, fazer novas perguntas, estabelecer relações e gerar transformações.

Nas escolas que implementam tal rotina, é possível notar que os docentes assumem um papel mais ativo e reflexivo sobre sua prática. Muito além de implementadores de uma técnica, imposta ou superficial, docentes fortalecidos e preparados estabelecem relações mais próximas com os alunos e constroem um espaço maior para ouvi-los. Isso torna a aprendizagem visível, palpável e real, o que constitui um novo modelo de educação, apto a formar os estudantes de hoje para o futuro.

Mark Church

Professor e pesquisador, participou de pesquisas da Harvard Graduate School of Education, incluindo o Project Zero, voltado à compreensão da aprendizagem e ao futuro das escolas

Priscila Torres

Diretora geral e acadêmica das escolas Concept; membro do comitê de educação do Grupo SEB

Thamila Zaher

Diretora-executiva e membro do comitê de educação do Grupo SEB

TENDÊNCIAS / DEBATES

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