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Fabio Jatene e Roberto Kalil Filho

Incor, um modelo de sucesso a ser replicado

Excelência também pode chegar ao sistema público

Fabio Jatene Roberto Kalil Filho

Quarenta e dois anos após a sua criação, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP), em São Paulo, atingiu neste ano os melhores indicadores de desempenho cirúrgico de sua história. Os índices passaram a ser comparáveis aos dos maiores centros mundiais de cirurgia cardiovascular.

Tão importante quanto a performance em si é o fato de que o modelo de gestão que levou o hospital a atingir esses resultados inéditos é passível de ser replicado no sistema público e privado de saúde, ampliando o alcance econômico e social que o instituto representa para o país. 

Cirurgiões em ação no Instituto do Coração (SP), que completa 42 anos - Danilo Verpa - 20.abr.17/Folhapress
 

Em um sentido mais amplo, ele se configura também no alicerce de fortalecimento da cultura de excelência em gestão da saúde. Isso porque o InCor, como hospital público universitário, forma centenas de jovens médicos e especialistas multiprofissionais em saúde, que vão atuar em todo o Brasil e na América Latina já com esse conhecimento em mente para ser aplicado.

Por ano, são operados no InCor perto de 4.000 pacientes cardiovasculares. Em sua maioria são procedimentos de alta complexidade, como os transplantes cardíacos. O aumento das doenças crônicas e incapacitantes, decorrência natural da maior longevidade, levou o hospital, na última década, a atender pessoas em situações cada vez mais graves. São pacientes que apresentam maior fragilidade e têm múltiplas doenças associadas à idade.

Para dar conta desse cenário, há seis anos iniciamos o Programa de Melhoria Contínua da Qualidade em Cirurgia Cardiovascular. Seu objetivo é consolidar a cultura de segurança, padronizar o treinamento, melhorar o trabalho em equipe e, sobretudo, monitorar o desempenho institucional com vistas à entrega final ao paciente, que é a sua saúde e o bem-estar restabelecidos. 

Passamos então a definir metas anuais de número de cirurgias, tempo de internação, taxa de sobrevida e de infecção, entre outros indicadores que são apresentados em reunião mensal multidisciplinar.

Com isso, houve modernização da gestão dos leitos e da fila cirúrgica, tornando mais ágil o seu atendimento. Otimizamos a preparação ambulatorial do paciente para a cirurgia e estabelecemos critérios de priorização para agendamento cirúrgico. Criamos a Unidade Cirúrgica de Qualidade e Segurança do Paciente.

Os resultados já podem ser mensurados. Em 2016, a chance no InCor de o paciente receber alta após a cirurgia de revascularização do miocárdio —as famosas pontes de safena— era de 96%. Em 2019, é de 99%. Na cirurgia valvar, entre outros exemplos positivos, a sobrevida passou de 89% (2016) para 96,2% (2019). 

Desfechos semelhantes também foram obtidos em outras frentes cirúrgicas, como as de doenças da aorta e de correção de cardiopatias congênitas, colocando o Brasil no patamar dos melhores hospitais do mundo em sua especialidade. 

Hoje a tomada de decisão e a gestão do InCor acontecem com base nesse sistema de acompanhamento e de análise de indicadores sistemáticos, com resultados cada vez mais promissores, provando que a excelência em saúde para a população pode, e deve, ser a premissa de um hospital público.

Fabio Jatene

Diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP) e vice-presidente do Conselho Diretor do InCor-HCFMUSP

Roberto Kalil Filho

Diretor da Divisão de Cardiologia Clínica e presidente do Conselho Diretor do InCor-HCFMUSP

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