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Pedro Coutinho

Digitalização exponencial desafia empresas a inovar

Para se destacar será preciso ir além, compreendendo preferências e necessidades do cliente

Pedro Coutinho

Presidente da GetNet e da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços)

Dados do Banco Central mostram que 9,8 milhões de brasileiros iniciaram algum tipo de relacionamento com as instituições financeiras de março até agora. Essa bancarização reflete um novo comportamento de consumo gerado em função do “novo normal” com a Covid-19.

O distanciamento social e o pagamento do auxílio emergencial —disponível via contas digitais para uma grande parcela da população— contribuíram para essa digitalização “forçada”, já que as pessoas passaram a utilizar novas maneiras de consumir, seja ela online, "contactless" ou por redes sociais.

Pedro Coutinho, presidente da GetNet e da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) - Gabriel Cabral - 26.fev.18/Folhapress

O medo de "tocar" fez com que os pagamentos por aproximação crescessem em 330% neste primeiro semestre do ano, movimentando mais de R$ 8,3 bilhões nessa modalidade de pagamento, conforme dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços).

Além disso, o e-commerce, que já vinha ganhando relevância no meio empresarial, mostrou-se indispensável no período para a continuidade dos negócios, com um crescimento de 110%, segundo dados do índice MCC-ENET da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (www.camara-e.net). Especialistas afirmam que estamos vivendo uma antecipação de patamares de vendas em e-commerce, o que só seria registrado daqui a cinco anos.

Outra pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que um em cada quatro donos de pequenos negócios implementou alguma inovação desde o início da crise. Os empresários que desenvolveram práticas inovadoras em seus negócios tiveram mais sucesso na melhora do nível de faturamento no período.

Os pequenos negócios inovadores registraram perda de 32% da receita —já as empresas que não inovaram tiveram um percentual de perda ainda maior (39%).A boa notícia é que tudo isso tem acelerado o processo de digitalização no Brasil, não só para as pessoas que passaram a usar mais os serviços financeiros e os serviços digitais para compras online, mas sobretudo para as empresas que perceberam que a agilidade deve estar na linha de frente dos negócios —independentemente de seu estilo de gestão, tamanho e segmento.

Está mais do que claro que a palavra "inovação" ganhou um ressignificado que vai além da sua descrição de “renovar”, de “restaurar”, de “fazer algo como não era feito antes”. Inovar deve ser um verbo ativo na vida das empresas; fazer como nunca se fez é desbravar o novo e ter a coragem de assumir os erros que esse novo jeito de gerir exige.

Novos tempos exigem dos empresários e pequenos empreendedores originalidade para os negócios que desejam mais do que “sobreviver”. A concorrência ficará ainda maior porque os clientes continuam os mesmos, porém com novos padrões de consumo e em diferentes plataformas. As empresas devem reforçar sua presença digital, seja ela com estratégias de marketing ou ainda em estratégias de negócios, ampliando a atuação no e-commerce e em novos formatos de compras.

Para se destacar será preciso ir além, compreendendo ainda mais suas preferências, seu perfil e suas necessidades, utilizando a infinidade de dados e, principalmente, a vivência prática. Servir nunca foi tão importante em tempos desconhecidos: servir para que o cliente se sinta seguro e confortável. O desafio agora é a abertura para as mudanças, pois uma nova realidade exige “fazer” de um jeito diferente, com ineditismo.

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