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Osmar Pinto Jr. e Iara R.C.A. Pinto

Os raios no centenário da Folha

Jornal sempre acompanhou de perto descobertas sobre fantástico fenômeno da natureza

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Osmar Pinto Jr. e Iara R.C.A. Pinto

Cientistas fundadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

A Folha está completando 100 anos. Assim como o jornal não é o mesmo de 1921, o conhecimento científico sobre os raios, este fenômeno fascinante da natureza, também não é. Em 1921, quando os pouco mais de 500 mil habitantes da cidade de São Paulo tinham recém-superado a gripe espanhola, uma pandemia que em alguns aspectos teve muitas semelhanças com a atual de Covid-19, os raios apareciam nos textos da Folha, então Folha da Noite, em geral chamados de coriscos.

Pouco se sabia sobre os raios, que haviam sido registrados pela primeira e única vez até então no Brasil em uma fotografia tirada na cidade do Rio de Janeiro, em 1885, por Henrique Morize, um engenheiro que trabalhava no Observatório Imperial, atual Observatório Nacional.

Os raios tinham acabado de ser considerados uma corrente de elétrons, partícula descoberta pelo cientista britânico Joseph John Thomson em 1897, e não mais um fluido elétrico. Sabia-se que a maioria tinha mais de uma descarga descendente, que se inicia na nuvem e se dirige ao solo, em oposição aos raios ascendentes, que começam no solo e seguem para a nuvem.

Contudo, praticamente nada se sabia sobre a incidência dos raios no Brasil e no mundo. Foi somente na segunda metade do século 20 que o registro das ondas de rádio geradas pelas descargas atmosféricas por múltiplos sensores em superfície, e o registro da luz gerada pelas descargas por sensores óticos a bordo de satélites, permitiu mapear a incidência de raios no planeta.

Graças a essas medidas, estima-se que entre 20 raios ocorram a cada segundo no planeta Terra —ou 600 milhões por ano, sendo cerca de dois terços nos continentes da região tropical. Embora nos oceanos ocorram cerca de dez vezes menos raios do que nos continentes, a maioria dos mais intensos acontece nos oceanos tropicais.

Calcula-se que, por ano, morram no planeta ao menos 25 mil pessoas atingidas por raios, e que estes causem prejuízos globais na casa das dezenas de bilhões de dólares. Pesquisas do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, feitas logo após a sua criação, em 1995, mostraram que o Brasil é o país com a maior incidência de raios no mundo, com cerca de 75 milhões por ano.

Eles matam mais de cem pessoas por ano e provocam prejuízos superiores a R$ 1 bilhão. Graças aos avanços da ciência e da divulgação científica nas últimas décadas, com papel de destaque da Folha, esses números vêm diminuindo.

Que nos próximos 100 anos a Folha continue divulgando as pesquisas sobre os raios, que, conforme as projeções apontam, deverão ser cada vez mais frequentes em nosso país.

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