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O julgamento de Chauvin

Veredito sobre policial que matou George Floyd será marco do combate ao racismo

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Memorial para George Floyd em Nova York - Angela Weiss/AFP

Prolonga-se desde o dia 25 de março o julgamento de Derek Chauvin, o policial que permaneceu por quase dez minutos com os joelhos no pescoço de George Floyd, matando-o, em maio do ano passado, em Minneapolis, nos EUA —depois da polícia ser acionada supostamente pelo uso de uma cédula falsa em uma loja de conveniência.

Por três semanas, os jurados ouviram 45 testemunhas e revisitaram, diversas vezes, a cena brutal do assassinato de Floyd, que inflamou protestos antirracistas em diversas partes do país e no mundo.

Embora os jurados apenas comecem a deliberar nesta segunda-feira (19) com vistas a um veredito unânime, o julgamento até o momento já foi palco de momentos que merecem destaque.

Cenas inéditas da morte foram apresentadas. “Por favor, não atirem em mim”, diz Floyd, que promete fazer tudo o que mandarem. O uso desmedido de força policial contrasta com a vítima a oferecer pouca ou nenhuma resistência.

O atual chefe da polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, testemunhou no sentido de que Chauvin violou as regras da própria corporação —uma raridade.

A defesa do acusado se baseou em ao menos três teses.

A causa de morte não teria sido asfixia pelo pescoço esmagado entre o joelho do policial e o chão, mas sim por overdose e complicações cardíacas preexistentes; o grupo de pessoas que acompanhou e filmou a cena, muitas delas testemunhas no julgamento, teria atrapalhado os policiais; Chauvin havia seguido seu treinamento.

Entretanto as evidências do caso, dos vídeos aos depoimentos, são contundentes. O mundo acompanhará de perto o veredito, dado o histórico de impunidade de policiais envolvidos em mortes de negros nos Estados Unidos.

Foram 986 episódios em 2020, segundo dados do jornal The Washington Post. Apenas em abril deste ano, enquanto acontece o julgamento, houve mais duas vítimas.

Adam Toledo, 13, foi morto em Chicago, perseguido por um policial mesmo após levantar as mãos. Daute Wright, 20, foi abatido a tiros em Minnesota (a menos de 20 km da cena da morte de Floyd), em uma abordagem de trânsito.

As polícias brasileiras mataram 6.357 pessoas em 2019, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, das quais 79% negras. Aqui e nos EUA, o julgamento de Derek Chauvin pode ser um momento de inflexão nesta brutalidade.

editoriais@grupofolha.com.br

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