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Edson Barbosa

Eduardo Leite prestou um serviço ao país

Fala do governador é um vento de esperança e coragem sobre o Brasil

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Edson Barbosa

É jornalista e publicitário. Chefiou a comunicação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, até o desastre aéreo que o matou durante a campanha presidencial de 2014

Há algo muito mais importante na declaração do jovem governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), do que a pantomima fora de tempo, diante de algo tão simples e natural, mas que ainda assanha enrustidos, interesseiros, ignorantes e principalmente hipócritas, nesse momento (tão rico) das possibilidades brasileiras.

O gesto de Eduardo Leite nos oferece a oportunidade de jogar luz sobre a pauta de “costumes” sequestrada pelos extremos para controlar a narrativa política e ou exercer a dominação das consciências, a partir de um falso evangelismo, moralista e desonesto, que avança principalmente sobre os mais jovens e os mais pobres.

No seu recente livro, “O Quinto Movimento”, o ex-ministro da defesa Aldo Rebelo (governo Dilma) faz um alerta seminal sobre essa questão. Vale a pena conferir. Aldo resiste à exacerbação da chamada pauta identitária, em detrimento de temas prioritários para a economia da vida brasileira, dos interesses reais do povo brasileiro, sobretudo da defesa da soberania nacional, diante do novo mundo que se apresenta, instável e incerto, nessa tragédia da crise sanitária, do desemprego, da fome, da desesperança.

Muito mais do que “sou gay”, a conversa de Eduardo Leite revela um Brasil que não deve ter medo do seu passado, recente ou não, tenebroso para muitos, luminoso para poucos, faces da mesma moeda.

Dizer sou gay ou não, lésbica ou não, travesti, seja como se perceber o espírito encarnado num corpo biológico de macho ou fêmea, deveria importar tanto quanto importa ser heterossexual, mulher, homem, índio, oriental, árabe, judeu, preto ou branco. Como diz um poeta, “…somos seres de toda cor”. O que importa mesmo é o respeito, o caráter, a dignidade do ser humano.

Eduardo Leite presta um serviço ao país, mas não somente pela coragem de revelar a sua condição. A sua maior generosidade, e poucos ainda a percebem, está em dizer para que um dia isso não seja mais assunto na vida de nenhum de nós.

Eduardo Leite votou em Bolsonaro em 2018; um pecado, tendo como opção o advogado, gestor, democrata, professor Fernando Haddad. Valorizou mais um antipetismo enviesado e as suas próprias circunstâncias, na política do Rio Grande do Sul, do que a cautela com o desastre.

Fez o mesmo que quase 58 milhões de brasileiros, com o agravante da informação que tinha a respeito do louco em quem votou. Pois tem agora a oportunidade de se redimir, assumindo compromisso firme em oposição a Bolsonaro. É a consciência da realidade que chegou, o mundo da política é assim.

Seja Lula, Doria, Mandetta, Ciro, Aldo, Simone Tebet ou o próprio Eduardo Leite o escolhido ou a escolhida para enfrentar Bolsonaro no segundo turno (caso haja segundo turno), a necessidade agora é a formação verdadeira e inteligente de um pacto pelo Brasil, que nos tire do despenhadeiro para onde nos empurramos.

A sociedade não aguenta mais uma guerra de egos diante da ultradireita antidemocrática, belicista, que se organizou e está aí, destruindo vidas, todos os dias.

Voltando aos “costumes”, é muito vigoroso, 90 anos depois da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder, o Rio Grande do Sul apresentar ao Brasil um quadro político da estirpe de Eduardo Leite. Quem sabe, sopre sobre a nação um minuano de esperança, parecido, na coragem, com aquele vento forte nordestino que Eduardo Campos soprou em 2014.

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