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SP menos mortal

Com tendência incerta em outros crimes, estado prossegue em queda de homicídios

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Policiais militares mostram câmeras instaladas nos uniformes, em São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress

Estatísticas divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública paulista indicam que o estado teve em 2021 o menor número de vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar) dos últimos 20 anos.

Foram 2.847 vítimas no ano passado ante 3.038 em 2020, queda de 6,3%. Em 2001, no início da série estatística, o estado contabilizou 13.133 homicídios. Na relação do número de assassinatos por 100 mil habitantes, a taxa despencou de 33,3, em 2001, para 6,04 em 2021.

Uma série de políticas implementadas nas últimas décadas geraram resultados positivos e deixaram São Paulo com uma taxa equivalente a um terço da nacional.

Paralelamente, registrou-se também queda de 30% na letalidade policial —de 814 vítimas em 2020 para 570 em 2021. A redução parece refletir uma mudança de orientação do governador João Doria (PSDB) —que surfara na onda bolsonarista, adotando em sua campanha e no início do mandato uma retórica agressiva na área de segurança.

O discurso tolerante com os enfrentamentos foi se atenuando com as mudanças do cenário político, que colocaram o governador em oposição ao presidente da República. Doria passou então a anunciar medidas para conter o número de mortos por policiais.

A mais significativa delas foi a implantação de câmeras corporais na Polícia Militar, providência que gera resultados promissores.

Em sentido contrário, houve no ano passado aumento em outras modalidades de crime, como o estupro —ocorrência, diga-se, tradicionalmente subnotificada.

Essa alta não se observou apenas em São Paulo, o que pode, em tese, sinalizar uma relação com as restrições de circulação impostas pela pandemia, com maior presença de pessoas dentro de residências.

Também os crimes patrimoniais, como furtos e roubos, subiram no território paulista em comparação a 2020. A maior expansão, de 21%, se deu no furto de veículos.

Chama a atenção que, embora se verifiquem oscilações nas estatística de 2021 em relação a 2020, a tendência geral é de queda na comparação com 2019, ano anterior ao início da pandemia.

Especialistas consideram que será preciso estudar com mais profundidade as causas do declínio recente dos homicídios e acreditam que, no tocante aos demais crimes, os dados precisarão ser testados nos próximos anos para que se confirme eventual mudança de patamar da criminalidade.

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