Descrição de chapéu Eleições 2018 jair bolsonaro

Jair Bolsonaro se filia ao PSL para disputar o Planalto

Em discurso, ele defendeu agenda liberal na economia e conservadora nos costumes

Angela Boldrini Anna Virginia Balloussier
Brasília

O deputado federal Jair Bolsonaro (RJ) se filiou nesta quarta-feira (7) ao PSL, sigla pela qual pretende disputar a Presidência.

O deputado e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (RJ) em ato de filiação ao PSL, na Câmara
O deputado e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (RJ) em ato de filiação ao PSL, na Câmara - Pedro Ladeira/Folhapress

O parlamentar aparece em segundo lugar nas pesquisas do Datafolha, com 16% a 18%, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sem o petista, o deputado sobe para primeiro, com 19%.

Em seu discurso, o parlamentar defendeu uma agenda econômica liberal, de privatização das estatais e redução de impostos, e conservadora nos costumes, com críticas ao casamento gay e à decisão do STF que permite que transexuais mudem o registro civil sem cirurgia.

“Um pai e uma mãe preferem chegar em casa e encontrar o filho de braço quebrado por ter jogado futebol, ao invés de brincando de boneca por influência da escola”, afirmou, depois de afirmar não ter nada contra homossexuais.

Bolsonaro voltou a defender que o Ministério da Defesa seja ocupado por um general e a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, além de criticar o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a quem chamou pejorativamente de desarmamentista. 

O pré-candidato disse que terá 15 vagas em seu ministério e que apresentará os nomes no início da campanha eleitoral. “É gente capacitada que nós temos que ter aí, com civis e com militares.”

O deputado criticou a imprensa por questioná-lo a respeito de sua governabilidade caso eleito. "O que é governabilidade neste momento? É entregar bancos, estatais a grupelhos", afirmou.

Ele também disse que não negociará "uma vírgula", nas palavras dele, com parlamentares de partidos como PT, PC do B e PSOL, e que o Congresso deve tipificar como terrorismo as ações de grupos de sem-terra como o MST. 

"Quem reza nessa cartilha da esquerda não merece conviver com os bens da democracia e os bens do capitalismo", disse. "Não adianta mais tirar de quem tem para dar para quem não tem, porque daqui a pouco quem tem, não tem mais e quem não tem, não tem de quem receber." 

ECONOMIA

Ele também afirmou não conhecer economia. “É uma virtude reconhecer o que você não sabe, melhor reconhecer do que fazer errado.”

Segundo o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), além de Bolsonaro, devem se filiar ao partido ao menos outros sete parlamentares. 

Caso isso se confirme, a bancada saltará de 3 para 11 deputados na janela partidária, que se inicia nesta quinta (8) e vai até 7 de abril. 

Bolsonaro chegou ao evento acompanhado pelos filhos Flávio (RJ) e Eduardo (SP), deputados estadual e federal, respectivamente. Ovacionado na entrada, foi recebido com gritos de “eu quero Bolsonaro presidente do Brasil”. 

Rostos conhecidos da militância direitista se juntaram ao ato. Pulularam gravatas com o adesivo “melhor Jair se acostumando”, coros de “mito!” e “glória a Deus!”. A rede de wi-fi foi batizada de “Bolsonaro Presidente”.

“Ex-feminista e boa cristã”, Sara Winter era uma delas. Hoje no PSC, vai se filiar ao PSL. “Foi Bolsonaro quem fez minha iniciação política”, conta. “Ele é o que chamo de ‘sunny people’, pessoa ensolarada, sabe? Ri o tempo todo”.

Outra que ria o tempo todo na reunião que sacramentou o “casamento” entre Bolsonaro e PSL era Carla Zambelli —idealizadora do Nas Ruas, movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff—, que concorrerá à Câmara.

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