De saída, governador da PB cria guarda pessoal para ex-governadores

Medida semelhante foi adotada por Doria em São Paulo; repercussão negativa fez prefeito recuar

João Pedro Pitombo
Salvador

Prestes a deixar o cargo, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), sancionou um projeto de lei que cria cargos de três assessores para guarda pessoal para ex-governadores.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), no Palácio do Planalto, em Brasília
O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), no Palácio do Planalto, em Brasília - Sergio Lima - 18.ago.11/Folhapress

A medida é semelhante a que seria adotada pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que há um mês chegou publicar decreto que estendia o serviço de segurança a ex-prefeitos e o beneficiaria.

 

Pressionado pela repercussão negativa do decreto após reportagem da FolhaDoria recuou e alterou a medida, que valerá somente para os prefeitos eleitos a partir da próxima legislatura. Doria vai renunciar ao cargo esta semana para disputar o governo de São Paulo.

A lei sancionada por Ricardo Coutinho, publicada em 31 de março, prevê que os próximos ex-governadores tenham três policiais para sua segurança pessoal. O benefício tem prazo correspondente ao tempo que o ex-governador exerceu o mandato, com limite de quatro anos.

Como governador reeleito, com sete anos e quatro meses de mandato, Coutinho terá o benefício até 2022.

A medida foi criticada pela oposição, que vê a lei como uma forma de Coutinho beneficiar a si próprio.

“É a lei do adeus, aprovada nas vésperas do governador deixar o cargo. Totalmente fora de propósito”, diz o deputado estadual oposicionista Bruno Cunha Lima (PSDB).

Ele afirma que, quando deixar o cargo, Coutinho terá a sua disposição mais policiais do que algumas pequenas cidades da Paraíba, como Lagoa de Dentro, Prata e Ouro Velho, que só possuem efetivo de dois policiais cada uma.

A mesma lei que determina três seguranças para o ex-governador também prevê a criação de cinco cargos na Fundação Casa de José Américo, órgão do governo do Estado, para cuidar dos acervos dos ex-governadores.

Os assessores serão indicados por familiares de cada um dos últimos cinco ex-governadores do Estado. Cada um terá direito a um assessor com salário de R$ 2.000. A oposição afirma que as indicações ferem o princípio da impessoalidade.

Procurado, o secretário de Comunicação da Paraíba, Luiz Torres, não atendeu às ligações da reportagem na manhã desta quarta (4).

*RENÚNCIA*

O governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) deverá renunciar ao cargo de governador até o próximo sábado (7) para disputar uma vaga no Senado. Caso opte por não disputar as eleições, ele deixa o cargo em 31 de dezembro.

A expectativa, segundo aliados, é que Coutinho deixe o cargo para disputar as eleições. A avaliação é que sua candidatura ao Senado serviria para alavancar a candidatura do seu candidato ao governo, o secretário estadual João Azevedo (PSB).

A decisão sobre a possível renúncia de Coutinho será anunciada na próxima sexta-feira (6). 

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