Descrição de chapéu Eleições 2018

Após ataque a CPMF, Alckmin diz que Bolsonaro privilegia ricos com novo IR

Tucano também teceu diversas críticas a Ciro Gomes, de olho em voto útil de seus eleitores

Thais Bilenky
Sorocaba

Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a se contrapor às propostas econômicas de Jair Bolsonaro (PSL), acusando-o de privilegiar os ricos em campanha pelo interior de São Paulo, no sábado (22).

O candidato do PSDB criticou principalmente a alíquota única de Imposto de Renda, proposta por Paulo Guedes, assessor econômico do capitão reformado.

O candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) faz campanha em Piracicaba. - Ciete Silvério - 22.set.2018/Divulgação

“Nós vamos corrigir a tabela do Imposto de Renda, não vamos ter alíquota única. Isso prejudica a classe média e também a população que precisa mais”, afirmou.

Em entrevista à Folha, na sexta, do hospital, Bolsonaro elogiou a estratégia de Guedes. “A alíquota única do IR para quem ganha mais é uma boa ideia.”

A mudança traria perdas de arrecadação de até quase R$ 70 bilhões, segundo cálculo de técnico do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A unificação da alíquota beneficiaria os 11% mais ricos do país, de acordo com o estudo, com 11,2 milhões beneficiados por isenção e 6,1 milhões, com cobrança menor.

Nesta semana, a sugestão revelada pela Folha de recriar um imposto nos moldes da CPMF, feita por Guedes, dominou o noticiário.

A campanha tucana levou ao horário eleitoral na TV o mais duro ataque ao adversário e disse que “o candidato da bala deu seu primeiro tiro contra os pobres”.

“Não vamos criar imposto do cheque, trazer de volta a CPMF. Isso aí é um grande erro, um imposto em cascata, encarece tudo e os ricos levam o dinheiro para fora", disse o candidato do PSDB.

Em relação ao salário mínimo e à Previdência, o tucano adotou fala em favor da população pobre, mas desta vez o contraste se deu com seu próprio economista, Persio Arida. “O salário mínimo será além da inflação, ganho real, e não vamos desvincular dos benefícios de aposentadoria. Não há hipótese de desvincular do salário mínimo o piso e os benefícios de prestação continuada”, afirmou.

Arida, em sabatina do Estado de S.Paulo, disse que é possível “fixar uma nova regra para o salário mínimo, ou não fixar regra nenhuma. A nossa posição, primeiramente, é a favor de regra. Qual é a regra certa? A evolução do salário mínimo tem de refletir índices de produtividade”.

No momento em que precisa angariar o voto útil, mirando eleitores dos candidatos que, como ele, estão embolados nas pesquisas, Alckmin deu fez diversas críticas a Ciro Gomes (PDT).

"Tenho até apreço por ele, mas o Ciro Gomes disse que o culpado da crise é o [ex-presidente tucano] Fernando Henrique", afirmou Alckmin, rindo.

"É inacreditável. O Ciro tem duas características. Uma é não gostar de São Paulo, sempre que pode fala mal de São Paulo. A outra, não tem espírito de justiça."

"Como é que pode? Quer dizer, o Lula não é culpado, o PT não é culpado, e o Fernando Henrique, que está fora do governo há 16 anos, é o culpado? Não é razoável", acrescentou.

Na sexta (21), Ciro bateu duro em FHC, que havia pedido em carta união de candidatos de centro em favor de Alckmin para derrotar os extremos, que ele atribui a Jair Bolsonaro (PSL) e ao PT.

Após agenda em Sorocaba, Geraldo Alckmin almoçou em Piracicaba e segue para Jundiaí.

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