Descrição de chapéu Eleições 2018

General Mourão troca polêmicas por declarações sobre corte de gastos nas contas públicas e redução de impostos

Equipe de campanha de Bolsonaro quer que aparições do vice sejam menos frequentes

Guilherme Seto
São Paulo

Após decisão do núcleo de campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) de fazer com que as aparições públicas do vice Hamilton Mourão (PRTB) sejam menos frequentes, o general fez fala discreta em evento com empresários da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.

Pouco antes de chegar ao local, membros da equipe de Mourão solicitaram que a imprensa fosse retirada. A solicitação gerou pequeno rebuliço, já que os repórteres haviam sido convidados previamente a acompanhar a palestra. Por fim, o general acabou por aceitar a presença dos jornalistas, com os quais não conversou antes de deixar o espaço.

Durante a palestra, evitou colocações mais incisivas como as dos últimos dias, quando disse que casas só de mães e avós são "fábricas de desajustados" e falou em "mulambada" ao se referir a acordos comerciais do Brasil com países da África e da América do Sul.

General Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro
General Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro - Danilo Verpa17.set.2018/Folhapress

Falando para uma plateia com interesses específicos, Mourão voltou a falar em austeridade e corte de gastos nas contas públicas e redução de impostos. Perguntado sobre a proposta do economista Paulo Guedes, guru econômico de Bolsonaro, de criar um imposto aos moldes da CPMF, sobre as movimentações financeiras, ele quis deixar claro que não sabe o teor exato da proposta.

"Ontem surgiu esse assunto. Eu acho que a ideia talvez fosse reduzir uma cesta de impostos e trocá-la por um imposto que seria similar à antiga CPMF. Acho que essa é a ideia do Paulo Guedes. De qualquer jeito, posso dizer que sábado vou almoçar com ele, vou perguntar e depois posso explicar melhor essa questão para vocês", disse Mourão.

A proposta de Guedes, revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha, nunca havia sido apresentada a Bolsonaro ou a qualquer aliado. 

Sua divulgação gerou pânico, e Bolsonaro correu às redes sociais para negar que queira recriar a CPMF. No entanto, em entrevistas aos jornais O Globo e O Estado de São Paulo, Guedes confirmou que estuda, sim, um imposto sobre movimentações financeiras, como repetido por Mourão nesta quinta (20).

A agenda de Mourão para os próximos dias é pouco movimentada se comparada às semanas anteriores. Na sexta-feira (21), ficará no Rio, para "descanso em casa" e algumas "breves entrevistas", como divulgou sua assessoria de imprensa.

No sábado (22), almoçará com Guedes e participará de evento do PRTB no Rio. No domingo (23), começará périplo pelo Rio Grande do Sul.

Embalados pelo desempenho ascendente na disputa do primeiro turno, integrantes do núcleo duro da campanha de Bolsonaro fizeram uma reunião em São Paulo na terça-feira (18) para lavar roupa suja e tentar unificar o discurso. Uma das decisões foi a de tutelar Mourão.

O general da reserva cumpriu uma agenda recheada de entrevistas e palestras nos quais algumas de suas polêmicas posições foram evidenciadas, como a citação sobre a eventualidade de um autogolpe presidencial ou a noção de que lares tocados por mulheres pobres são "fábricas de desajustados".

No dia seguinte à reunião da qual não participou, Mourão disse à Folha que "apenas faz o que é solicitado". 

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