Descrição de chapéu Eleições 2018

Haddad defende flexibilidade na condução econômica e diz que o perfil para a Fazenda é o dele

Candidato trabalho no plano de governo e afirma que foi desenhado sob orientação do ex-presidente Lula

Catia Seabra
São Paulo

Abusando do discurso de paz e amor ao longo de todo o dia, o candidato do PT à Presidência e ex-prefeito, Fernando Haddad, defendeu nesta quarta-feira (19) jogo de cintura, pragmatismo e flexibilidade para conduzir a economia brasileira.

Questionado sobre qual seria o perfil ideal para o comando do Ministério da Fazenda, Haddad não pestanejou: “O meu. Eu ia ser o ministro da Fazenda do Lula, ele já tinha me convidado para isso. Por isso, eu digo que o perfil é o meu”, disse ele.

Conforme noticiado pela Folha, o petista procura um não economista, de perfil moderado e independente, para o comando da Fazenda caso seja eleito em outubro.

“Perfil pragmático, no sentido de buscar solução para os problemas do povo, sem ser sectário. Às vezes, os economistas esses figurões, são sectários, acham que são donos da verdade. Quando você está no governo, você tem que ter jogo de cintura, pragmatismo e flexibilidade para buscar a solução”, afirmou Haddad.

Candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad
Candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad - Andre Penner - 19.set.2018/AP

Coordenador do programa petista, Haddad disse também que está trabalhando no plano de governo.

Segundo petistas, essa será a brecha do candidato para, no eventual segundo turno, atrair aliados do centro-esquerda. 

Na tentativa de ampliar sua base de apoio, Haddad repetirá que o plano de governo está em construção.

Quando questionado sobre medidas mais polêmicas, especialmente na economia, lembrou que esse programa foi desenhado sob a orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o governo dele, após uma série de reuniões no Instituto Lula, muitas delas sem a presença de Haddad.

Petistas recordam que Haddad nem participou das primeiras reuniões sobre propostas para a economia, entrando na equipe de programa de governo já em andamento.

Fernando Haddad chamou de pequeno desastre a proposta apresentada pelo guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL). Apresentado por Bolsonaro como seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes pregou a adoção de alíquota única do Imposto de Renda.

Segundo Haddad, esse modelo penaliza os pobres e beneficia os ricos. “Uma campanha disse hoje que quer baixar o imposto dos ricos e aumentar dos pobres”, discursou em Guarulhos. 

Dizendo-se contrário à reedição da CPMF e prometendo isenção de IR para os que ganham até cinco salários-mínimos, Haddad diz que a proposta de Paulo Guedes é um desastre “porque faz o pobre, que já paga mais imposto que o rico, pagar ainda mais”. 

Pela primeira vez, Haddad usou de maior firmeza ao responder às críticas do adversário pedetista, Ciro Gomes, que, em uma alusão ao petista, disse que o país não suporta mais um presidente fraco.

Haddad disse que Ciro é seu amigo e que os dois pertencem ao mesmo campo, mas, às vezes, têm conceitos diferentes. Sem mencionar os rompantes do pedetista, Haddad disse que força se dá por duas questões: firmeza e autocontrole.

“Tem que ter essas duas qualidades para presidir o pais: firmeza de propósitos, mas muito autocontrole para evitar provocação. Então, sou uma pessoa firme e controlada porque eu sei dos desafios que estão pela frente. Mas também represento um projeto que expressa os anseios da grande maioria da população”, comentou. 

Pela manhã, na zona leste de São Paulo, Haddad disse que há um acerto democrático a ser feito no dia 7 de outubro, data do primeiro turno.

Investindo no modelo paz e amor, ele disse, no entanto, que o Brasil está cansado da intolerância que se vê nas ruas. “Não queremos ofender ninguém. O Brasil está cansado de ofensas, de xingação”.

Em um aceno aos eleitores do centro-esquerda, Haddad disse querer paz, um Brasil de progresso e oportunidade.

Sobre as pesquisas, Haddad apelou para que os militantes trabalhem com afinco para consolidar sua posição no segundo turno

Apesar do esforço para dissociar sua personalidade à de Lula, Haddad disse que não adianta tentarem criar intriga entre ele e o ex-presidente.

Questionado se Lula seria o presidente de fato, em caso de sua eleição, Haddad disse ser ele o titular da chapa.

Ele disse, no entanto, que Lula é um estadista internacionalmente reconhecido com quem sempre conversa. “Ter um estadista da categoria do Lula como amigo, à disposição do Brasil, só se eu fosse louco eu dispensaria seus conselhos”.

Haddad afirmou ainda que a adversária da Rede, Marina Silva, ainda não se explicou sobre seu apoio ao tucano Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais de 2014.

O petista deu as declarações em entrevista à Rádio Sociedade. Ele criticou o apoio de Marina a Aécio ao ser questionado sobre as declarações da adversária, que o comparou à ex-presidente Dilma Rousseff, como um poste ungido por Lula.

Haddad lembrou que Marina foi petista e cogitou ser a escolhida pelo ex-presidente nas eleições de 2010. “A Marina escolheu Aécio em 2014 e até hoje não se explicou sobre isso”, reagiu.

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