Descrição de chapéu Eleições 2018

Com aceno a Skaf, França diz que SP não é tucano e nem o Brasil petista

Governador vai se colocar como 'homem simples', em contraposição ao rival João Doria

Gabriela Sá Pessoa
São Paulo

Márcio França (PSB) escolheu estrear seus compromissos públicos no segundo turno da eleição para o governo de São Paulo com um almoço no bandejão dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta segunda-feira (8). Estava acompanhado pela esposa, Lúcia França, e pelo neto, Enzo, além de aliados políticos, como o coordenador de campanha, Jonas Donizette (prefeito de Campinas), e do secretário de Habitação, Paulo Matheus.

Antes de se servir, disse a jornalistas que, no segundo turno, o eleitor avaliará o caráter dos candidatos. E é nesse sentido que parece querer reforçar a intenção de se apresentar ao eleitor como um homem simples, diferente do adversário João Doria (PSDB), empresário e apresentador de TV.

"As pessoas enxergam a simplicidade no meu jeito, têm afinidade muito mais que com o Doria", afirmou França, para quem a disputa nada terá a ver com ideologia: "As pessoas sabem da minha identificação política".

O governador Márcio França almoça no bandejão dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes com sua esposa, professora Lúcia França, e o neto, Enzo
O governador Márcio França (PSB) almoça no bandejão dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes com sua esposa, professora Lúcia França, e o neto, Enzo - Gabriela Sá Pessoa/Folhapress

Ideologias à parte —o PSB é um partido tradicionalmente de centro-esquerda e França, defensor do serviço público ante privatizações—, o governador quer que seu partido se mantenha neutro na disputa presidencial, sem declarar apoio a Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT). Os pessebistas já publicaram resolução em que defendem o não voto em Bolsonaro e França disse, no domingo (7), que não apoiaria o capitão reformado, que contará com o palanque de João Doria no estado.

Caso o partido opte por se posicionar em reunião na terça-feira (9), França afirmou que já se descolou do diretório nacional em outros momentos. E mandou um recado: a reeleição em São Paulo deveria ser prioritária para o PSB.

"Vou tentar fazer de tudo pra que a gente possa encontrar alternativa de sobrevivência. Nossas posições vão nortear o país", afirmou, pregando a conciliação em meio à polarização da política nacional.

Em seu próprio caso, espera encontrar conciliação e apoio de Paulo Skaf (MDB), que ultrapassou no primeiro turno por apenas 89 mil votos, em uma eleição apertada.

"Tenho muito mais amizade com o Skaf, eu que o filiei a primeira vez [ao PSB] para ser candidato a governador", disse.

Do PT, afirmou que não rejeita nem espera apoio, discutido internamente, mesmo antes da eleição, pela bancada petista na Assembleia Legislativa.

Afirmou que não contou com o partido em eleições passadas em São Vicente, que administrou por dois mandatos e elegeu o sucessor. E também não viu sinais de aliança durante a campanha.

"Podiam ter feito gestos comigo nos debates [de TV], não fizeram. O Marinho [candidato do PT] foi crítico, duro", afirmou.

França também disse que prometeu à vice, a coronel da PM Eliane Nikoluk (PR), que não faria nenhum gesto de apoio ao PT na eleição e afirmou que cumprirá sua palavra. Nikoluk já afirmou ter preferência por Bolsonaro.

Doria começou a campanha pelo segundo turno com ataques a França, dizendo que ele era um genérico de Lula e de Haddad e que aparecia na Lava Jato como Márcio Paris.

Questionado sobre as declarações, França disse: "Nada do que o Doria fala eu acredito. Ele teve a chance de falar a verdade e ele mentiu para o povo de São Paulo".

França disse que, contra ele, Doria terá a pior derrota política de sua história e disse que o resultado do primeiro turno sinaliza um cansaço dos paulistas dos 24 anos de administração do PSDB -mesmo tendo feito parte oficialmente dos últimos quatro, como vice de Geraldo Alckmin (PSDB).

"O PT e PSDB viraram duas faces de uma só moeda. Acham que hegemonicamente o estado de SP era tucano e o Brasil, petista. Eles vão ver que São Paulo não é tucano, nem o Brasil petista", afirmou o governador.

França comemorou o resultado das eleições na Assembleia Legislativa, em que o PSL obteve votação recorde com Janaína Paschoal e conseguiu fazer a maior bancada do estado, com 15 deputados. A base do PSB ficou com 28 parlamentares e a do PSDB, com 27.

"Acho bom. Pessoas experientes se reelegeram, também", afirmou. Apesar do cenário sem ampla maioria, França espera que conseguirá compor com as novas forças políticas no Legislativo: "Meu convívio é do diálogo, eu passei pelo parlamento. Tenho experiência".

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