Descrição de chapéu Eleições 2018

Em SC, 'governador do Bolsonaro' atribui virada ao sobrenatural

Novato na política, Comandante Moisés (PSL) enfrenta Gelson Merísio (PSD) no segundo turno

Estelita Hass Carazzai
Curitiba

O comandante Carlos Moisés da Silva, 51, diz “acreditar no sobrenatural”. Foi assim que ele explicou sua ida ao segundo turno na disputa pelo governo de Santa Catarina, com 29% dos votos válidos, depois de as pesquisas darem a ele apenas 9%.
 
“O sobrenatural está se concretizando”, declarou o segundo colocado da eleição, na noite de domingo (8), em entrevista ao portal NSC Total. “O sentimento da rua era esse, de mudança, renovação.”

O candidato ao governo de Santa Catarina Comandante Moisés (PSL), durante carreata de campanha
O candidato ao governo de Santa Catarina Comandante Moisés (PSL), durante carreata de campanha - Divulgação

A julgar por seu material de campanha e pelo resultado das urnas, o sobrenatural tem nome: Jair Bolsonaro.

Filiado ao PSL, Moisés se beneficiou de uma onda em prol do presidenciável em seu estado, que deu 65% dos votos ao capitão reformado do Exército –o maior percentual do país.
 
Seu programa eleitoral, divulgado nas redes sociais, anunciava: “Começa aqui o programa ‘Governador de Bolsonaro’”. E o jingle de campanha martelava: “Minha família quer o novo, um homem trabalhador; quer Bolsonaro presidente e Moisés governador”.
 
“Bolsonaro só apoia um governador aqui em Santa Catarina: eu, Comandante Moisés, 17”, dizia o candidato nos programas da campanha, divulgados na íntegra apenas na internet (já que, na propaganda oficial, o pesselista tinha apenas sete segundos), pedindo votos ao “time do Bolsonaro em Santa Catarina”.

Moisés disputará o segundo turno contra Gelson Merísio (PSD), que fez 31% dos votos –uma diferença de menos de dois pontos percentuais.
 
O pessedista chegou a declarar apoio a Bolsonaro em meio à campanha, contrariando a aliança nacional de seu partido com Geraldo Alckmin (PSDB). Após o resultado das urnas, afirmou que o fenômeno PSL “precisa ser estudado”.
 
Moisés, por sua vez, disse representar "a mudança de verdade", e declarou que o adversário, que foi por três vezes presidente da Assembleia Legislativa e há pouco tempo era aliado do ex-governador Raimundo Colombo (MDB), é “só mais um representante da velha política”.
 
Esta é a primeira incursão do Comandante Moisés na política. Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros desde 2016, ele já coordenou a Defesa Civil do estado e trabalhou na Secretaria de Justiça e Cidadania, na prevenção a incêndios em prisões estaduais. Mas só se filiou ao PSL em março deste ano, em sua primeira filiação.
 
Na convenção que lançou a candidatura própria, em agosto, o partido já apostava no potencial de Bolsonaro no estado para alavancar votos para Moisés, bem como na escolha de candidatos neófitos na política, que traziam a bandeira da renovação.
 
Ao contrário do presidenciável de seu partido, o candidato ao governo de Santa Catarina tem fala mansa, com tom grave e estilo pouco agressivo. Mas, assim como Bolsonaro, ele também promete investir em segurança pública, combater a corrupção e enxugar a máquina do Estado. 
 
Nesta segunda, em entrevista ao Jornal do Almoço, Moisés disse que continuará fazendo uma "campanha simples": o candidato declarou gastos de quase R$ 300 mil até aqui, contra R$ 5,4 milhões de Merísio.

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