Descrição de chapéu Eleições 2018

'Nem todos vão atuar como eu gostaria', diz Haddad sobre fracasso de frente democrática

Ao comentar postura de FHC, petista afirmou que ‘história cobra nossos posicionamentos’

Marina Dias
São Paulo

"O convite permanece para que os democratas se somem. Nem todos vão atuar da maneira como eu gostaria ou como eu sugeriria, inclusive para uma pessoa com a formação que ele tem”. 

Fernando Haddad (PT) desabafava sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sua principal aposta para compor uma frente democrática em torno de sua candidatura contra Jair Bolsonaro (PSL).

Após enterrar de vez o projeto de ter Ciro Gomes na aliança —o PDT declarou apenas “apoio crítico” ao petista e o irmão de Ciro, Cid, fez declarações agressivas ao PT— Haddad acelerou a aproximação com o tucano mas, nesta quarta (17), recebeu a negativa que chancelou seu isolamento.

Candidato à Presidência pelo PT,  Fernando Haddad
Candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad - Amanda Perobelli/REUTERS

FHC afirmou, durante evento em São Paulo, que a “porta” que dizia haver entre ele e Haddad está “enferrujada” e com a fechadura “enguiçada”.

Na semana passada, o tucano afirmou em entrevista ao Estado de S. Paulo que havia “uma porta” para o diálogo com o petista, que se apressou em responder publicamente e a entrar em contato com o superintendente do Instituto FHC, Sérgio Fausto.

Ao comentar a declaração de FHC, Haddad disse que “só soube hoje” que a porta estava enferrujada. E que havia escutado com “alguma esperança” quando o ex-presidente falou em “porta” para ele e “muro” para Bolsonaro.

“A vida é assim”, completou Haddad.

O petista disse ainda que a história vai cobrar pela postura do tucano. “A história às vezes cobra os nossos posicionamentos, nem sempre à vista, às vezes a prazo”.

Como mostrou a Folha, a campanha do PT havia colocado a frente em xeque após as declarações de Cid Gomes, que disse no início da semana que o partido de Lula merecia perder a eleição pois não fazia autocrítica. Haddad, porém, ainda nutria esperança em relação a FHC —e esperava um retorno do tucano.

Nesta quarta, em coletiva à imprensa, o candidato do PT afirmou que, entre os tucanos, há personalidades que têm Mário Covas como referência, um líder que, segundo ele, “não deixava de se posicionar”, e é com eles que ele pode contar agora.

Como exemplo, Haddad citou o ex-ministro da Justiça de FHC José Carlos Dias, que assinou um manifesto de juristas a favor de sua candidatura.

O PT fracassou ao tentar concluir a frente que, na ideia inicial da siga, seria ampliada de partidos de centro-esquerda para nomes como FHC, Ciro, Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, mas nenhum deles apoiou explicitamente Haddad.

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