Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Governo Bolsonaro está abusando na desordem de início de mandato, diz FHC

Tucano fez referência a crise com Bebianno e escreveu que familiares não podem pôr lenha na fogueira

São Paulo

Em sua primeira crítica direta à gestão Jair Bolsonaro (PSL), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta sexta-feira (15) que, embora desordens sejam comuns em início de mandato, o atual governo "está abusando".

FHC fez referência à crise envolvendo o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) e atacou indiretamente o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, responsável por elevar a temperatura do escândalo ao acusar o auxiliar do pai de mentir.

"Início de governo é desordenado. O atual está abusando. Não dá para familiares porem lenha na fogueira", escreveu o tucano no Twitter.

"Problemas sempre há, de sobra. O presidente, a família, os amigos e aliados que os atenuem, sem soprar nas brasas. O fogo depois atinge a todos, afeta o país. É tudo a evitar", acrescentou. Ele já afirmou que não votou em Bolsonaro nem no candidato do PT, Fernando Haddad, na eleição presidencial.

Horas depois da publicação da mensagem, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) disse a Bebianno que ele ficará no cargo. Pessoas próximas aos dois ministros confirmaram que o presidente mandou suspender o plano de exoneração.

Bebianno vem enfrentando extrema pressão por causa da revelação, em uma série de reportagens da Folha, de um esquema de candidaturas laranjas que receberam repasses volumosos do fundo partidário do PSL no ano passado. O atual ministro presidiu a legenda durante a campanha eleitoral.

A crise foi aprofundada na quarta-feira (13), depois que Carlos Bolsonaro afirmou no Twitter que o titular da Secretaria-Geral mentiu ao dizer que conversou três vezes com seu pai no dia anterior, enquanto ele ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Fernando Henrique já havia se referido ao novo governo em sua conta no Twitter, mas em outro tom. No dia da posse, 1º de janeiro, disse desejar "que o novo governo ajude o povo a ter trabalho, reconheça a dignidade das pessoas e lhes dê segurança, a Constituição nas mãos e a esperança a motivar o país no rumo da decência e do crescimento".

Em dezembro, quando vieram à tona suspeitas sobre movimentações financeiras atípicas associadas ao senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, o tucano afirmou lamentar que pedras fossem lançadas antes do início da gestão.

"Diariamente há pessoas acusadas de corrupção ou mal [sic] uso de dinheiro público. Lamento que antes de começar o novo governo pedras sejam lançadas", disse FHC na época. "É preciso verificar, antes de condenar, mas sem confiança e credibilidade impossível reconstruir o país, como a maioria do povo deseja."

O ex-presidente, que apoiou o colega de partido Geraldo Alckmin no primeiro turno da eleição presidencial, se recolheu no segundo. Ele recebeu vários acenos do então opositor de Bolsonaro, Haddad, mas frustrou os aliados do petista que esperavam uma declaração de apoio dele.

Durante a campanha, ele divulgou uma carta pedindo união contra candidatos radicais, sem citar nomes. Em janeiro, FHC disse que é oposição ao governo Bolsonaro e que não votou nele para presidente.​

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