Joice diz que seria hipocrisia negar intenção de concorrer à Prefeitura de SP

Para a deputada federal do PSL, 'não tem o menor sentido' falar que Doria incentiva sua candidatura

Joelmir Tavares
São Paulo

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) admitiu nesta terça-feira (26) a intenção de concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2020, mas disse que o assunto não é sua prioridade agora.

A Folha mostrou nesta terça-feira que João Doria (PSDB) tem estimulado a parlamentar a disputar a eleição municipal, num momento em que o governador se distancia de seu colega de sigla e ex-vice Bruno Covas, atual prefeito da capital paulista.

“Tem muita água para passar debaixo da ponte. Mas não vou ser hipócrita de dizer não, para amanhã eu esticar a língua na guilhotina e cortar a minha língua”, disse Joice, sobre a intenção de se candidatar.

“Eu fui eleita para ser deputada. Quem decide para que rumo eu vou é o povo de São Paulo, que me elegeu. Eu não posso dizer nem que sim nem que não”, despistou ela, na saída de seminário do banco BTG Pactual, em São Paulo.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) tira selfie com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL)
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) tira selfie com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL) - Fátima Meira - 1º.jan.19/Futura Press/Folhapress

A parlamentar disse ainda que “não tem o menor sentido” falar que Doria está incentivando sua eventual candidatura. Os dois são amigos e se aliaram publicamente no segundo turno da eleição passada, pregando o voto “BolsoDoria”.

“O Doria é do PSDB e é meu amigo. Mas ele não vai estimular a minha candidatura, que é de outro partido”, afirmou ela a jornalistas. “O meu partido, por óbvio, já me sondou. Tanto o presidente quanto o vice-presidente [da sigla] falaram: ‘Olha, você é um bom nome. Você e a Janaina [Paschoal, deputada estadual eleita em São Paulo].”

“Tem coisas mais urgentes agora do que pensar na prefeitura”, concluiu.

Joice chegou atrasada ao debate para o qual estava convidada. Culpou o trânsito lento após uma madrugada de forte chuva na capital paulista.

“Todas as árvores que poderiam cair caíram. Todos os buracos que poderiam abrir se abriram. E o prefeito vai ter trabalho”, disse, numa referência a Bruno Covas. Em redes sociais, a deputada tem feito críticas à gestão do tucano.

Filho do presidente

Também na manhã desta terça-feira, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, compartilhou no Twitter o título da reportagem da Folha sobre a possível candidatura de Joice e, em seguida, respondeu a um seguidor que o aconselhou a não atacar a deputada.

“Não estou nenhum [sic] pouco preocupado com Joyce [sic]. Boa sorte a ela em seus anseios!”, afirmou o filho de Bolsonaro.

Indagada pela Folha sobre o tuíte de Carlos, Joice rebateu: “O Carlos tem o direito de dar a opinião dele, como ele quiser e bem entender, assim como eu tenho o direito. De fato, boa sorte para mim nos meus anseios. E boa sorte para ele nos anseios dele”. “Eu estou aqui para trabalhar pelo Brasil. Não estou aqui para fazer picuinha com figura A, B ou C.”

Após se afastar do local onde falou com os repórteres, Joice foi ao Twitter responder a Carlos. Escreveu que a Folha está “plantando uma mentira deslavada” ao noticiar o estímulo de Doria à sua candidatura.

“Coisa sem pé nem cabeça. Pq será q o jornalista ñ me ligou para checar a informação? Eu respondo: pq é mentira! Meu compromisso é com Brasil. Vamos aprovar a Nova Previdência TODOS juntos com @jairbolsonaro”, publicou.

Também nesta terça, Doria deu entrevista ao lado de Covas depois de um compromisso do governo e procurou negar qualquer estremecimento na relação dos dois.

“Não quero aqui fazer nenhum estigma a qualquer veículo de comunicação, mas para ficar claro que a nossa relação é a melhor, a mais estreita, a mais próxima possível”, afirmou o governador. Covas então olhou nos olhos dele e sorriu.

Previdência

Joice gastou a maior parte do tempo no evento do BTG falando sobre a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL). Disse estar alinhada com o presidente na expectativa de que o Congresso aprove o projeto no primeiro semestre.

“Falo que é final de maio, para a gente também ter uma gordurinha. Porque vai que atrasa um pouquinho”, afirmou em relação à data de aprovação na Câmara. Depois o texto seguirá para o Senado.

Segundo ela, o presidente se preocupa com o risco de o Congresso “desvirtuar demais” o texto da reforma. Joice relatou ter dito a ele que é impossível evitar que o projeto final tenha “a digital do Parlamento”.

“Mas por óbvio que a gente vai trabalhar para que o texto tenha um impacto [econômico] grande, senão não tem razão de ser", acrescentou.

Joice disse que líderes de bancadas vão se reunir com o presidente nesta terça-feira em Brasília para discutir a tramitação do projeto das aposentadorias.

“O presidente, no jeito muito simples dele falar, o jeitão do Bolsonaro, ele fala: ‘Pô, se não aprovar, o Brasil quebrou, tá ok?’.”

A parlamentar indicou que deve ser mesmo a líder do governo no Congresso, mas falou que não cabe a ela anunciar a nomeação, prevista para ocorrer nos próximos dias.

“Quem anuncia líder não é nem o presidente do Senado nem o presidente da Câmara, é o presidente da República”, afirmou, mostrando-se otimista com a possibilidade.

Num esforço para demonstrar que o governo conseguirá os votos suficientes para passar a reforma, Joice disse que “o jogo começou agora” e que a base de apoio está sendo construída.

“Não é fácil, porque todos pensam em impacto na sua eleição. Alguns perguntam: ‘O que é que eu ganho com isso? Qual é a contrapartida para eu votar com o governo?’. Para esses parlamentares nós vamos ter uma conversa no tête-à-tête, olho no olho.”

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