Temer ficará preso em sala com TV e frigobar na sede da PF no Rio

Citando isonomia, juiz Bretas determinou tratamento semelhante ao que Lula recebe em Curitiba

Catia Seabra Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O ex-presidente Michel Temer ficará preso da sede da superintendência da Polícia Federal no Rio, segundo decisão do juiz Marcelo Bretas, que defendeu tratamento semelhante ao dado ao ex-presidente Lula, preso desde abril de 2018.

Ele ficará em uma sala que era usada pelo corregedor da PF, com banheiro privativo, janela e ar-condicionado. A sala tem um frigobar e receberá uma TV. Tem ainda uma cama de solteiro, sofá e mesa de reunião.

Temer chegou à superintendência da PF por volta das 18h40. Em sua decisão sobre o local da prisão, Bretas determinou que a PF forneça, se tiver condições, "itens mínimos" —como televisão, frigobar— compatíveis com os oferecidos a Lula em Curitiba.

"Entendo que o tratamento dado aos ex-presidentes deve ser isonômico, uma vez que o ex-presidente Lula está custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba", escreveu o juiz.

Inicialmente, Bretas havia determinado que Temer fosse enviado ao Batalhão Especial Prisional (BEP), unidade gerida pela Polícia Militar do Rio em Niterói, na região metropolitana da capital.

Reservada a policiais, a unidade mantém hoje o ex-governador Luiz Fernando Pezão, acusado de participar do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral.

A mudança foi feita a pedido da defesa de Temer e após consulta à Polícia Federal, que afirmou ter condições de custodiar o ex-presidente, preso na manhã desta quinta (21) na Operação Descontaminação, que apura corrupção em obras da usina nuclear Angra 3.

O ex-presidente chegou ao local no início da noite e foi recebido por cerca de dez manifestantes que gritavam "golpista" e "ladrão".

O ex-ministro Moreira Franco e João Batista Lima Filho, o coronel Lima, ficarão no BEP, segundo decisão de Bretas. Na unidade há uma sala de Estado-Maior, mais espaçosa e com mesa e banheiro, onde hoje está Pezão.

Com 272 vagas, o BEP tinha em outubro 239 presos, segundo os últimos dados disponíveis pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Instalado em uma construção antiga, a unidade tem campo de futebol e horta.

Nos anos 1990, antes de se tornar presídio para policiais, as instalações receberam bicheiros condenados pela juíza Denise Frossard e ficaram conhecidas como Sítio do Pica Pau Amarelo, pelo tratamento favorável aos contraventores.

Passou a abrigar apenas policiais em 2015, com a desativação do BEP em Benfica, zona norte do Rio, depois que uma juíza foi agredida por presos durante inspeção para investigar mordomias permitidas aos presos.

No novo BEP de Niterói, uma policial foi presa em flagrante em fevereiro enquanto tentava entrar com equipamentos e insumos para churrasco. Moreira Franco foi transferido para o local na noite desta quinta.

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