Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro não abandona soldado ferido, diz aliado sobre ministro do Turismo

Senador Major Olímpio (SP) admite, porém, que novas suspeitas contra Álvaro Antônio são desgastantes para governo

Daniel Carvalho
Brasília

 Diante do novo capítulo da crise que envolve o ministro do Turismo, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), reconhece que a indicação de operações bancárias suspeitas de Marcelo Álvaro Antônio é desgastante para Jair Bolsonaro, mas afirma que o presidente é "leal aos seus" e "mata no peito" mais esse problema.

A Folha mostrou nesta sexta-feira (17) que relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta operações atípicas em contas bancárias do ministro. De acordo com o órgão, vinculado atualmente ao Ministério da Justiça, o alvo das investigações sobre candidaturas laranjas do PSL movimentou R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019.

A divulgação dos dados do relatório acontece na mesma semana em que Bolsonaro já vinha tendo que lidar com o primeiro grande protesto contra seu governo, por causa dos cortes na Educação, e com a revelação de novas suspeitas contra seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O novo episódio envolvendo Marcelo Álvaro Antônio soma-se também ao clima de descontentamento que o presidente vive na relação com o Congresso. O Legislativo ameaça deixar caducar uma série de MPs (medidas provisórias), inclusive a que garante a atual estrutura do governo.

"Na minha visão, sim, é desgastante. Mas ele [Bolsonaro] é muito leal aos seus e, portanto, segura a bucha e mata no peito. Ele se desgasta, mas não abandona soldado ferido para trás", disse Olímpio sobre o caso.

O líder do PSL no Senado reforçou também a régua que o presidente havia estabelecido para cortar ministros envolvidos em casos de corrupção.

"Álvaro ainda tem a confiança do presidente. Bolsonaro só vai tirá-lo se, no final das investigações, houver culpa formada. O próprio ministro, através da nota de sua assessoria, declarou que abre mão do seu sigilo e que tem lastro legal para suas movimentações . Está fácil comprovar. Portanto, segundo a regra colocada pelo presidente, ele continua ministro e com a confiança", afirmou o senador.

A Folha teve acesso ao documento do Coaf que relata “operação suspeita” e afirma ter havido depósitos e saques em dinheiro vivo que apresentaram “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”, além de movimentação de recursos “incompatível com o patrimônio, a atividade econômica, ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”.

Em fevereiro, em relação ao escândalo dos laranjas, o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou foro especial para o ministro do Turismo e decidiu que a competência de investigação do caso é da primeira instância, por serem fatos que ocorreram durante a campanha, inexistindo vínculo com o mandato de deputado federal na Câmara.

O caso das laranjas foi revelado pela Folha em fevereiro. Dias depois, o Ministério Público e a Polícia Federal abriram investigação, ainda em andamento. Bolsonaro tem dito que aguarda a conclusão das investigações sobre o ministro do Turismo para decidir o que fará nesse caso. 

Em nota, Marcelo Álvaro Antônio afirmou que coloca à disposição das autoridades seus sigilos bancário e fiscal e que todas as suas movimentações têm lastro legal e foram declaradas.

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