Após nova acusação, aliados de Bolsonaro atuam para tirar Bivar do comando do PSL

Representantes do partido avaliam que situação do deputado afeta imagem do presidente

Brasília

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL) deram início a uma articulação para tirar o deputado Luciano Bivar (PE) do comando do PSL. 

Na manhã deste sábado (8), o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) participou de uma reunião no Palácio da Alvorada com o presidente para discutir a situação do dirigente. 

Também estiveram no encontro os advogados Karina Kufa, que comanda a área jurídica do PSL, e Antonio Rueda, vice-presidente da sigla. 

O movimento de afastamento de Bivar ganhou força depois de a Folha ter mostrado que o dirigente da legenda apresentou à Câmara e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) notas fiscais de empresas que negociam a venda desse tipo de documento

Jair Bolsonaro, vestido com camiseta e berbuda, cumprimentando o deputado Major Vitor Hugo
O Presidente Jair Bolsonaro conversa com o deputado Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara dos Deputados, após encontro no Palácio da Alvorada - Andre Coelho - 08.jun.2019/Folhapress

A avaliação é que situação do deputado afeta negativamente a imagem de Bolsonaro, que já sofre o desgaste de outras acusações envolvendo o partido, como a de candidaturas de laranjas.   

No encontro deste sábado no Alvorada, foram tratadas opções jurídicas para justificar o afastamento de Bivar. 

A ideia dos aliados de Bolsonaro é ampliar o controle da família do presidente sobre o PSL. 

Há a preocupação, no entanto, que a eventual saída de Bivar crie traumas com a bancada do partido no Congresso, já que não há unidade interna no repúdio à conduta de Bivar.

Deputados e senadores ouvidos reservadamente pela Folha dizem que o deputado conta com o apoio de parlamentares, embora esse suporte não seja unanimidade. 

Após a notícia de que Bivar usou empresas que emitem notas frias para justificar gastos, a bancada do PSL se dividiu entre apoio e silêncio. No grupo de Whatsapp dos deputados, o presidente nacional da legenda deu sua versão da história e recebeu apoio de cerca de 15 a 20 correligionários. A bancada do PSL tem 54 deputados e quatro senadores. Muitos preferiram não se manifestar para não se comprometer antes da apuração dos fatos.

Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), também foi ao Alvorada logo após a reunião dos advogados com Bolsonaro, neste sábado. Ao sair de lá, ele minimizou a nova crise no partido. 

"Imagino que parte do PSL pode estar angustiado em relação a isso, mas mantemos nossa confiança no presidente Bivar, que tem sido um grande deputado e tem ajudado o partido se desenvolver", disse o Vitor Hugo. A bancada do partido tem reunião marcada para terça-feira (11). 

"Ele vai ter possibilidade de defesa e de provar sua inocência. O partido vai deliberar nos órgãos competentes para tomar a melhor decisão."

Em fevereiro, a Folha mostrou que o grupo político de Bivar ​lançou candidatas laranjas em Pernambuco que receberam mais de R$ 600 mil de dinheiro público do partido na eleição de 2018.

O caso do presidente do PSL é similar ao também revelado pela Folha em Minas Gerais, cujo diretório do partido era comandado à época pelo atual ministro de Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio. Os políticos negam irregularidade. As denúncias são investigadas pela Polícia Federal.


Conheça Luciano Bivar

Quem é
Presidente nacional do PSL e deputado federal eleito em 2018 com 117 mil votos. Tem 74 anos e é também empresário

Chefia do PSL
Bivar comanda a sigla desde 1998 (o partido foi criado  em 1994), com algumas  licenças temporárias  --como na eleição de 2018

Candidato  à Presidência
Foi o primeiro candidato ao Planalto pelo partido, em 2006. Obteve apenas 0,06% dos votos

Esporte
Bivar foi cartola de futebol. Em 2013, confessou que, na função de presidente do Sport Club do Recife, em 2001, pagou propina a dirigentes da CBF para assegurar a convocação de um jogador

Laranjas
Folha mostrou em fevereiro que seu grupo político criou candidatas laranjas em Pernambuco que receberam mais de R$ 600 mil de dinheiro público do partido na eleição de 2018

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