Manifestantes inflam super-Moro em frente à PF em apoio ao ministro

Ato foi organizado de forma relâmpago em meio a polêmica com prisão de hackers

Brasília

Apoiadores do ministro Sergio Moro (Justiça) inflaram, na tarde desta sexta-feira (26), o boneco super-Moro e pregaram faixas com frases favoráveis ao ex-juiz em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para demonstrar apoio a ele e à Operação Lava Jato.

Boneco inflável do ministro da Justiça Sérgio Moro inflado em frente à sede da Policia Federal, em Brasília - Danielle Brant/Folhapress

O ato, que reúne cerca de 20 manifestantes, foi convocado pela Organização Nacional dos Movimentos, criada em 2005 e que agrega em torno de 40 grupos de direita, segundo a coordenadora Lúcia Otoni. “Menos o MBL”, ressalta.

No final de junho, o grupo do deputado federal Kim Kataguiri se envolveu em um confronto com o Direita SP em ato a favor do governo realizado na avenida Paulista, em São Paulo. Kim também trocou farpas em redes sociais com o guru do bolsonarismo, o polemista Olavo de Carvalho, que considera o MBL uma espécie de direita moderada.

A manifestação a favor de Moro nesta sexta foi “relâmpago”, afirmou Lúcia Otoni. “Nós somos a favor da Lava Jato, nós somos a favor do nosso Sergio Moro. Nós não queremos corrupção mais no Brasil. Chega. Chega de corrupção”, disse. “Nós só queremos justiça no Brasil, o povo está cansado. Precisamos passar o Brasil a limpo.”

Otoni, que disse representar mais de 100 milhões de brasileiros, afirmou ainda que a organização apoia o presidente Jair Bolsonaro, “que está mudando o Brasil”. “A ideia é mostrar que nós da direita estamos realmente a favor da Lava Jato. Nós queremos um Brasil novo, um Brasil sem corrupção, doa a quem doer”, disse.  

Mesmo após a divulgação de diálogos atribuídos ao então juiz e a procuradores da Lava Jato, Moro é aprovado por 52% da população, segundo pesquisa Datafolha feita no início de julho. O número tanto dos que acham seu desempenho regular quanto dos que desaprovam seu trabalho no Ministério da Justiça é de 20%.

O ato em frente à PF recebe o apoio de alguns motoristas, que passam buzinando e acenando. Um deles, no entanto, parou para xingar os manifestantes de “burro” e “jumento”.

Três dos hackers suspeitos de invadir aparelhos celulares de autoridades brasileiras estão presos na superintendência. De acordo com informações iniciais da investigação, os ataques dos hackers começaram em fevereiro deste ano, o que descartaria a possibilidade de eles terem se passado pelos alvos nas trocas de mensagens anteriores a esse período.

Até agora, a PF já contabiliza pelo menos quatro casos em que o autor ou os autores das invasões deram início ou continuaram diálogos, fingindo ser o dono do telefone.

A polícia apura se o telefone do presidente Jair Bolsonaro, alvo dos hackers, sofreu esse tipo de ação por parte deles. Investigadores dizem que isso ocorreu, por exemplo, com o ministro Sergio Moro (Justiça).

Mais de mil pessoas podem estar na lista de alvos dos hackers, segundo a polícia. Apenas o aplicativo Telegram foi atingido.

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio Noronha, afirmou à Folha nesta quinta-feira (25) que a informação foi dada pelo próprio ministro por telefone. A comunicação foi confirmada à reportagem pela assessoria de Moro.

Moro telefonou a Noronha para comunicar que ele estava na lista dos alvos do grupo preso pela Polícia Federal.

O descarte de qualquer material apreendido em operações policiais é uma decisão que cabe à Justiça e só pode ocorrer com decisão do juiz.

O gesto de Moro provocou reação imediata. A Polícia Federal afirmou, por meio de nota, que a caberá à Justiça, “em momento oportuno, definir o destino do material” apreendido.

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