Ato na USP por imprensa livre tem críticas a Bolsonaro e defesa de Greenwald

Plateia também pediu a liberdade do ex-presidente Lula

Wálter Nunes
São Paulo

Críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), manifestações de apoio ao jornalista Glenn Greenwald e pedidos de libertação do ex-presidente Lula (PT), preso em Curitiba, deram o tom de ato em defesa da liberdade de imprensa realizado nesta segunda (9), no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo.

O espaço estava lotado, com boa parte das pessoas carregando bandeiras e faixas de “Lula livre” e contra a Operação Lava Jato. O principal convidado foi Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, que disse ter sofrido ataques e tentativas de intimidação de Bolsonaro e do ministro da Justiça, Sergio Moro. 

O jornalista Glenn Greenwald, no salão nobre da faculdade de direito da USP, discursa em ato em defesa da liberdade de imprensa
O jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, discursa em ato em defesa da liberdade de imprensa - Bruno Santos /Folhapress

Glenn disse que Bolsonaro ataca sua família com o intuito de interromper a publicação de reportagens baseadas em mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava Jato enquanto o ministro era juiz federal em Curitiba.

As conversas, obtidas pelo Intercept e publicadas por outros veículos, como a Folha, ​expuseram a proximidade de Moro com membros do Ministério Público e colocaram em dúvida a sua imparcialidade como juiz. 

Glenn disse que o ministro da Justiça o classifica como "aliado de hacker" para tentar criminalizar seu trabalho jornalístico, mas afirmou que não vai se intimidar.

“Não vamos parar de reportar os arquivos [com mensagens entre membros da Lava Jato”, disse o jornalista. “Nós estamos defendendo a liberdade de imprensa garantida na Constituição brasileira. Não vamos deixar este país regredir para uma ditadura de novo.”

Os discursos foram interrompidos por gritos de "Lula livre" e canções atacando Bolsonaro e Moro. “O Sergio Moro, eu estou ligado, prendeu o Lula para eleger o Bolsonaro”, cantou um grupo de estudantes.

Durante o ato, o jornalista Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, criticou o  governo Bolsonaro.

“A Constituição de 1988 nasceu porque este país não queria mais a tortura, não queria a censura, não queria mais a ditadura”, disse Bucci. “Ele (Bolsonaro) está atentando contra a Constituição quando diz que um jornalista, por publicar a verdade, deveria ir para a cadeia”, disse Bucci.

Em julho, o presidente disse que Glenn, que é americano, talvez pegasse "uma cana aqui no Brasil" e sugeriu que o jornalista cometia crime ao divulgar as mensagens da Lava Jato

Também participaram do evento o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o jurista Dalmo Dallari, o escritor angolano Valter Hugo Mãe, e os colunistas da Folha Reinaldo Azevedo e Juca Kfouri, além de representantes de movimentos sociais e entidades estudantis.

O ato foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Instituto Vladimir Herzog e os centros acadêmicos da USP Lupe Cotrim, Vladimir Herzog e 11 de Agosto.

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