Descrição de chapéu 4º Fórum Inovação Educativa

Desafio Inova Escola premia professores inovadores

Cerimônia ocorreu na quarta-feira (13) durante o 4º Fórum Inovação Educativa, promovido pela Folha e Fundação Telefônica Vivo

Lucas Alonso
São Paulo

Falta água na Escola Municipal de Tempo Integral São Sebastião, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana de Recife (PE). Entre problemas de infraestrutura e falhas na distribuição, os cerca de 400 alunos às vezes precisam trazer água de casa ou são dispensados das aulas quando ocorre de o caminhão-pipa não chegar, o que é frequente.

Foi essa carência básica —ou sua proposta para combatê-la— que deu à São Sebastião um lugar entre os cinco destaques nacionais do Desafio Inova Escola, criado pela Fundação Telefônica Vivo para premiar soluções inovadoras no cotidiano das escolas. A premiação ocorreu durante o Fórum Inovação Educativa, promovido pela instituição e pela Folha.

Equipes de educadores eleitas como destaques nacionais no Desafio Inova Escola - Reinaldo Canato / Folhapress

"Nossa equipe propôs criar um sistema de captação e tratamento de água da chuva utilizando garrafas PET e desenvolver sensores com robótica automotiva, para evitar o desperdício de água nas torneiras", contou o professor de ciências Alexsandro Alberto da Silva, educador responsável pela equipe da escola de Jaboatão.

Os premiados foram selecionados entre 335 participantes de todas as regiões do Brasil. "Os critérios foram relevância, articulação, viabilidade, qualidade do planejamento, criatividade e nível de inovação da proposta", explicou Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e membro da comissão avaliadora.

Outro destaque foi a equipe Inova Iema, do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), de São Luís, que oferece ensino técnico sem deixar de lado as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. Segundo Francilma Everton, professora de sociologia e educadora responsável pela equipe, a forma como as aulas eram planejadas acabou suscitando queixas dos alunos, que se sentiam sobrecarregados. 

O plano de inovação proposto pela equipe inclui reuniões mais frequentes entre os professores de ambas as modalidades para fomentar o planejamento interdisciplinar. 

"Se nós conversarmos mais, podemos solucionar não só o problema da interdisciplinaridade, mas outros que surgem no dia a dia da escola", declarou a educadora.

Francilma também é considerada inovadora pelas abordagens que utiliza nas aulas de sociologia. Evangélica, ela ressalta a importância da diversidade na construção do saber dos alunos e acha positivo que os interesses pessoais sejam trazidos para dentro da sala de aula.

Em uma disciplina eletiva intitulada "O movimento é sexy, agora vamos conversar?", Francilma incentivou, por exemplo, discussões sobre diversidade sexual e de gênero e levou a temática do funk para ser debatida no ambiente escolar. "Eles me veem como o estereótipo da mulher evangélica conservadora, e eu chego lá e desconstruo tudo."

A equipe "Guerreiros do Campo", da EMEF Joana Darc, de Nova Esperança do Piriá (PA), propôs promover oficinas e criar um calendário mais flexível à realidade local para combater os altos índices de faltas, repetência e evasão escolar.

O quarto destaque nacional também vem de Pernambuco --de Vitória de Santo Antão, a 53 km de Recife. A equipe "Itavivo", da Escola Municipal Constâncio Maranhão, propôs a criação de espaços de vivência para integrar a escola ao parque natural em que está localizada. O plano prevê educação ambiental no projeto didático e a criação de um espaço voltado ao aprendizado "mão na massa".

O quinto premiado foi o grupo formado por educadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), de Itaperuna (RJ). O projeto consiste em desenvolver uma fábrica de jogos educativos baseados em obras literárias de domínio público, com filiais em outras escolas. 

"Nosso instituto não carece de recursos, mas está localizado em um lugar extremamente pobre e a gente precisa fazer a diferença nas outras escolas", disse a professora Michelle Maria Freitas Neto.

Na visão da equipe, essa é uma das soluções possíveis para as dificuldades de aprendizagem e a promoção da autonomia dos estudantes.

Os vencedores receberão um prêmio de até R$ 10 mil e assessoria técnica para a implementação do plano em 2020. Além disso, dois educadores de cada equipe farão um intercâmbio em escolas que desenvolvem metodologias inovadoras por todo o Brasil. A cerimônia foi apresentada por Marcelo Tas.

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