Descrição de chapéu Vida cultural na pandemia

Osesp reduz salário e evita demissões com apoio do público

Orquestra Sinfônica de São Paulo tem queda no orçamento com pandemia, mas assinantes evitam rombo ainda maior

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Artur Búrigo
Florianópolis

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo teve um recuo no orçamento previsto de 2020 de R$ 100 milhões para R$ 74 milhões, com a queda de 14% nos repasses públicos devido à pandemia.

O impacto só não foi maior, de acordo com Marcelo Lopes, diretor executivo da Osesp, porque quem comprou entradas antecipadas abriu mão da devolução. Mesmo com a temporada estendida até fevereiro, 40% dos concertos planejados não devem acontecer.

"Apelamos aos 8 mil assinantes que compraram entradas ainda em 2019, para que doassem os valores das apresentações que não aconteceram", diz o diretor. "Tivemos sucesso: 60% dos ingressos foram cedidos e o resto, transferido para o ano seguinte."

Com oito semanas de concertos realizados, a ocupação tem ficado em média 20% da registrada antes da pandemia.

A instituição evitou demissões, aplicando, por três meses, uma redução de 15% nos salários dos 280 funcionários, 190 dos quais, músicos.

A Osesp aproveitou o acervo em vídeo dos concertos e manteve programação online por quatro meses. Em agosto, passou a se reunir presencialmente para apresentações virtuais, e em outubro, abriu a sala ao público.

Agora, busca manter sua presença online, planejando investir em equipamentos de transmissão para atingir um público que não tinha acesso aos concertos.

O Sesc-SP, com 8 mil funcionários, também não demitiu na pandemia, apesar da queda de arrecadação de abril a junho, por conta da medida provisória que reduziu à metade o repasses das empresas às entidades do Sistema S. O orçamento caiu de R$ 2 bilhões para R$ 1,7 bilhão neste ano.

Em resposta ao distanciamento, o Sesc-SP priorizou um novo site e transmissões ao vivo de músicos, de suas casas, ação que começou em abril e ainda está em vigor. "Focamos em duas vertentes, uma voltada ao público, para compreender nossas finalidades como instituição, e outra aos artistas, que estavam paralisados", diz o diretor-geral, Danilo Santos de Miranda.

No setor de museus, pesquisa feita em julho e agosto com 1.039 profissionais de 23 estados e DF mostrou o impacto da crise. Perderam o emprego 19% deles, e 30% relataram redução salarial, segundo o Conselho Internacional de Museus no Brasil (Icom-BR).

Um desafio foi adequar a dinâmica de preservação dos acervos ao novo momento, diz Marília Bonas, diretora da entidade. Segundo ela, os protocolos criados para isso no Brasil se tornaram referência em outros países.

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