Descrição de chapéu Guia das profissões

Especialista em controle de custo ganha mais espaço na retomada da economia

Área é responsável por identificar formas de aumentar a eficiência das empresas

Lisandra Matias
São Paulo

Num cenário de crise, baixos recursos e alta demanda por eficiência, profissionais da área de economia e finanças estão sendo requisitados para desempenhar tarefas como reduzir despesas, renegociar dívidas e rever processos.

Eles também dão suporte a decisões que apoiam a estratégia da companhia, envolvendo portfólio de produtos e serviços, investimentos, fornecedores e prazos.

"No começo da pandemia, o objetivo era o corte de custos. Agora, esse profissional também precisa saber negociar com bancos, fazer replanejamento financeiro e até fusão e aquisição", diz Vanessa Novais, diretora-executiva de transição de carreira da Thomas Case & Associados.

Com formação acadêmica em administração, economia ou ciências contábeis, o profissional é o responsável por todo o financeiro da empresa, cuidando de áreas como controladoria, tesouraria, contabilidade e fiscal.

Uma das suas funções é identificar oportunidades para reduzir os custos e aplicar recursos de forma a ganhar eficiência e produtividade, por meio do investimento em tecnologia e da redução da carga operacional. Para isso, a interlocução com os diversos setores da empresa é fundamental.

Para o controle de custos da EDP, empresa do setor elétrico, Júlio César de Andrade, 40, diretor de planejamento e controle, usa uma metodologia chamada Orçamento Base Zero, que considera todas áreas da corporação para compor a base orçamentária para o ano seguinte. ​

O processo requer interação com os diferentes especialistas para conhecer os desafios de cada setor —engenharia, tecnologia da informação e comunicação— e ter um nível de compreensão razoável das questões técnicas envolvidas.

"Sem esse diálogo, eu me torno apenas o profissional de corte de custo, que acaba não entendendo os efeitos das suas ações", diz Andrade, que é formado em engenharia mecânica e ciências contábeis e tem MBA em finanças.

"Se eu cortar custos em segurança do trabalho, posso ter consequências graves para os funcionários. Cortes em tecnologia da informação podem facilitar invasão de hackers e comprometer a segurança dos dados", diz.

A questão da robotização e da digitalização de processos é outro ponto importante no processo de controle de custos, segundo Andrade. Ele dá como exemplos a digitalização dos canais de atendimento ao cliente e a otimização das rotas dos funcionários que leem os medidores de energia nas residências.

O especialista em cortar custos também pode trabalhar por conta própria, prestando serviço a empresas.

É o que faz Sergio Fujimoto, 55, sócio-proprietário da Souf - Inteligência em Redução de Custos, de São Paulo.

"Como diretor financeiro, eu buscava ajuda no mercado para essas questões. Pensei então em oferecer aquilo que eu sentia falta: uma visão externa, para entender os processos e necessidades da empresa e poder propor alternativas". afirma ele.

O desafio é gastar menos sem perder qualidade. "Não é simplesmente trocar fornecedor, mas entender a forma como as coisas são feitas e sugerir outras possibilidades e melhorias nos processos."

Fujimoto diz que, durante a pandemia, não teve aumento no número de clientes, mas acredita numa retomada com a recuperação da economia, devido à necessidade das empresas de adequar suas despesas.

Para Danielle Nakaya, gerente de recrutamento da Robert Half, a tendência é que as empresas passem a dar mais ênfase à estratégia a ser adotada em detrimento do operacional e, nesse cenário, a figura do diretor financeiro ganha muito destaque.

"O mercado vai necessitar de profissionais que tenham experiência em enfrentar problemas complexos, grande capacidade de análise de informação, e que possam tomar as decisões difíceis sobre os recursos financeiros."

Segundo pesquisa da Robert Half, realizada em julho deste ano, para 41% dos diretores financeiros a prioridade da retomada será a redução de custos, seguida por automação dos processos da área.

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Especialista em controle de custo

Formação Graduação em ciências contábeis, economia ou administração são as mais comuns, além de pós nas áreas de finanças, planejamento estratégico, investimentos e inteligência de mercado

Salário inicial R$ 4.500 (analista de custo)

Onde estudar Fipecafi (pós em gestão de custos e negócios), FIA (pós em finanças e eficiência empresarial), Ibmec (MBA em finanças), Insper (MBA executivo em finanças)

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