Saiba quais carros e segmentos sofrem menos desvalorização

Pesquisa mostra que veículos compactos são os que têm menor perda de valor em dois anos

Eduardo Sodré
São Paulo

​Compradores de carros compactos foram os que menos perderam dinheiro nos últimos 24 meses. O dado foi levantado a pedido da Folha pela KBB Brasil, empresa especializada na precificação de veículos, que calculou a desvalorização das principais categorias de automóveis.

O segmento que inclui os campeões de venda do país (Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Ford Ka hatch) teve depreciação média de 12,6% na comparação entre o preço do zero-quilômetro em agosto de 2017 e seu valor atual no mercado de usados.

Os carros de luxo são os que mais se desvalorizaram nesse mesmo período, com perda acumulada de 20,4%, de acordo com a KBB Brasil. ​

A pesquisa envolveu 897 versões de diferentes modelos disponíveis como zero-quilômetro em agosto de 2017, independentemente de seu ano/modelo. É por isso que aparecem carros 2016, 2017 e 2018 nos resultados.

“Podemos nos deparar com índices que a princípio parecem improváveis, como a situação em que veículos surgem valorizados”, diz Ricardo Fischer, Gerente de avaliações da KBB Brasil.

É o caso do sedã compacto Volkswagen Voyage 1.6 Trendline 2018 com câmbio manual, que valorizou 3% na comparação de seu valor de venda em agosto de 2017 com o cobrado no mercado de usados em agosto de 2019.

Segundo Fischer, uma das explicações para isso é o aumento do preço desse modelo no mercado de carros novos nos últimos anos. Outro motivo está no desconto praticado pela montadora há dois anos.

“O aumento tem reflexo no valor do veículo usado que, em alguns casos, fica mais caro do que quando novo em 2017”, diz o gerente da KBB.

O Voyage se encaixa nas duas explicações. Há dois anos, o valor de tabela da versão 1.6 Trendline era de R$ 52.750. Hoje, a opção equivalente é anunciada por R$ 59.290 pela Volks, um aumento de 12,4%.

Contudo, esse mesmo Voyage tinha um grande desconto em 2017: era vendido por R$ 43,9 mil, segundo a KBB Brasil. Hoje, esse veículo tem valor médio de R$ 45.201 no mercado de usados

O resultado mostra que o melhor caminho para perder pouco dinheiro com um carro é escolher uma versão com boa aceitação de mercado e que tenha o maior desconto possível quando nova.

“Outros elementos que impactam na desvalorização de um veículo podem ser alheios à marca ou a um modelo especificamente, como tecnologias mal aceitas pelo público consumidor”, diz Fischer. Ele cita o câmbio automatizado de embreagem simples como um dos itens que mais depreciam o carro.

Esse sistema é identificado pelos termos iMotion na linha Volkswagen, Dualogic ou GSR nos modelos Fiat, Easy-R na Renault e Easytronic na Chevrolet. O Voyage 1.6 que em dois anos valorizou 3% na versão manual teve perda de 21,9% na opção automatizada.

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