Lexus usa eletricidade para poupar gasolina, mas perde agilidade

Versão híbrida registrou média urbana de 14,7 km/l no teste Folha-Mauá

Eduardo Sodré
São Paulo

Ver carros da Lexus pelas ruas ainda é algo raro no Brasil, mas se você cruzar com algum por aí, provavelmente será o utilitário de luxo NX. O modelo responde por 61% dos 457 veículos vendidos pela marca no primeiro semestre.

O apelo do SUV aumentou no fim de 2018, quando todas as versões disponíveis no país se tornaram híbridas: combinam um motor 2.5 a gasolina com outro, elétrico. Além disso, houve redução de R$ 10 mil nos preços, que hoje começam em R$ 220 mil.

A novidade estimulou o bancário Rogério Henriques Gagliardi, 57, a trocar seu utilitário esportivo Honda CR-V 2.0 flex pelo Lexus NX 300h.

“É meu primeiro carro híbrido, já me acostumei com o silêncio do motor elétrico, mas as pessoas na rua ainda não”, diz Gagliardi, se referindo aos sustos que alguns pedestres tomam por não ouvir o carro se aproximar. É possível rodar por trechos curtos no modo 100% elétrico.

É agradável estar ao volante de um carro em absoluto silêncio, sensação potencializada pela cabine do Lexus. 

A versão F-Sport testada custa R$ 261 mil e tem bancos que podem ser refrigerados ou aquecidos. Há também um complexo sistema multimídia, que exige a instalação de um aplicativo para ser plenamente utilizado.

A marca é a divisão de luxo da Toyota, nascida em 1989 para concorrer com Audi, BMW, Cadillac e Mercedes no mercado norte-americano. No Brasil, toda a linha atual combina motores a gasolina e a eletricidade.

Mas nem tudo é melhor na versão híbrida. O NX com motor 2.0 turbo, sem auxílio elétrico, apresentou desempenho superior nas avaliações feitas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. O carro não é mais vendido no Brasil. 

As provas de aceleração e retomada foram realizadas na pista da TRW, em Limeira (interior de São Paulo). O método foi o mesmo para ambos.

O NX turbinado (238 cv) precisou de 7,8 s para partir da imobilidade e chegar aos 100 km/h. Menos potente (194 cv na combinação entre gasolina e eletricidade), o híbrido foi 2 s mais lento.

Na prova de retomada (80 a 120 km/h), nova vantagem para o Lexus “antigo”, que foi 2,5 s mais rápido que o atual.

A diferença é sentida ao volante. Mesmo quando o modo Sport é selecionado, o NX híbrido não tem o brilho de seu antecessor com turbo.

O foco atual está na redução do consumo, sem privilegiar a velocidade. Os números comprovam que a estratégia é bem sucedida.

O Lexus híbrido registrou média urbana de 14,7 km/l ante 8,7 km/l do turbo. Isso significa que a versão que combina gasolina e eletricidade consome o equivalente a R$ 27,28 para percorrer 100 km no meio urbano, enquanto o turbo gasta R$ 46,10.

O cálculo considera o valor médio de R$ 4,01 para o litro da gasolina na cidade de São Paulo, de acordo com levantamento feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) entre os dias 21 e 27 de julho.

Diante dos concorrentes, o Lexus se destaca por oferecer mais conforto. Sua suspensão filtra melhor os buracos do que a dos modelos Mercedes GLC 250 (a partir de R$ 280,1 mil) e BMW X3 (R$ 276,9 mil).

Contudo, os rivais estão mais atualizados e têm desempenho superior. Lançado em 2014, o NX está no meio do seu ciclo de vida e deve ser renovado na linha 2021. Até lá, seu maior apelo está na possibilidade de queimar pouco combustível na cidade, apesar do desempenho comedido.

Lexus NX 300h

Motores Gasolina e eletricidade, 2.494 cm³, potência combinada de 194 cv, torque de 21,4 kgfm a 4.400 rpm
Câmbio automático CVT (simula seis marchas)
Peso 1.850 quilos
Porta-malas 475 litros
Aceleração (0 a 100 km/h) 9,8s
Retomada (80 km/h a 120 km/h) 7,8s
Consumo urbano em km/l  14,7
Consumo rodoviário em km/l  14,5
Preço a partir de R$ 220 mil

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