Facebook ameaça bloquear notícias na Austrália, que vê 'coerção'

Plataforma questiona proposta que a faria pagar por conteúdo jornalístico; governo diz que não cede a 'ameaças'

São Paulo

Com posts e entrevistas, o Facebook iniciou na noite de segunda (31) uma ofensiva global contra a proposta em discussão no governo australiano, para que a plataforma de mídia social e também o Google paguem pelo uso de conteúdo jornalístico.

A empresa divulgou que, em caso de aprovação pelo parlamento australiano, vai "parar de permitir que publishers [empresas jornalísticas] e pessoas na Austrália compartilhem notícias locais e internacionais no Facebook e no Instagram".

O post é assinado por Campbell Brown, vice-presidente global de Parcerias de Notícias da empresa americana. Em entrevistas à NBC e ao New York Times, ela acrescentou ter tentado "fazer com que isso funcionasse", propondo uma versão que previa "investimentos em jornalismo" na Austrália.

"Infelizmente, há tantas coisas nessa legislação proposta que a tornam insustentável", disse. Um dos pontos que teriam levado à ameaça é que os termos finais dos acertos com publishers seriam definidos por "árbitros independentes", sem recurso.

Duas semanas antes, na mesma linha, o Google havia enviado um alerta a todos os seus usuários australianos, dizendo que a proposta colocava em risco os "serviços gratuitos" que a plataforma tem no país.

O secretário australiano do Tesouro, Josh Frydenberg, respondeu poucas horas depois do primeiro post do Facebook: "A Austrália faz leis que promovem nosso interesse nacional. Não respondemos a coerção ou ameaças de mão pesada, de onde quer que venham".

E a comissão de concorrência do país, que vem coordenando a discussão, afirmou que "o código visa simplesmente trazer justiça e transparência às relações do Facebook e do Google com as empresas jornalísticas australianas".

Não é a primeira vez que o chamado duopólio de publicidade enfrenta esforços, em âmbito nacional, para que remunere conteúdo jornalístico. Europeus como a Espanha já tentaram, mas desta vez, num país de língua inglesa, seria maior o risco de provocar um efeito dominó internacional.

Questionada pela NBC, Brown respondeu não ver assim: "Eu acho que a Austrália é uma exceção".

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