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Descubra Tóquio de metrô sem falar uma palavra de japonês

Metrópole é pontilhada de estações, que passam pelos principais pontos turísticos

Eduardo Sodré
Tóquio

O passeio em um ônibus turístico é a primeira atividade em Tóquio. A cabeça ainda se recupera das 30 horas entre voos com a escala no aeroporto de Dubai. Uma noite apenas entre a chegada ao Japão e o roteiro pela capital.

A guia chama-se Yumi e fala português. “Sou japonesa original, aprendi o idioma na faculdade de letras de Tóquio”, diz, entre uma descrição e outra do que se vê pela janela. “Essa é a primeira torre de televisão da cidade, de 1958. Tem 333 metros de altura.”

O caminho é pontilhado de estações de metrô, que definem a programação do dia seguinte.

Há 13 linhas em Tóquio, operadas por duas empresas. São 8 milhões de passageiros por dia em uma cidade com 13 milhões de habitantes.

Olhar o mapa das rotas dá calafrios, mas há um aplicativo da companhia Tokyo Metro que resolve quase todos os problemas de deslocamento.

O bilhete para um trecho custa 170 ienes (R$ 5,50). Lembre-se de guardá-lo até a saída, será necessário para liberar a catraca.

A compra é simples: máquinas trazem instruções em inglês e aceitam notas e moedas. Há diferentes combos de passagens, com bonificações ao usuário que compra bilhetes para vários dias e trajetos.

 

A primeira viagem parte da estação de Akasaka, próxima ao hotel New Otani, onde o repórter está hospedado. O destino é Shibuya, bairro conhecido pelo comércio e por curiosidades turísticas. Um dos orgulhos do lugar é o cruzamento de cinco ruas que resulta na travessia de pedestres mais movimentada do mundo.

O aplicativo dá o caminho: entrar na estação de Akasaka (linha verde) e, duas paradas depois, descer em Omotesando (linha amarela). Novo embarque e, no ponto seguinte, chega-se ao destino. O tempo total de viagem não passa de 15 minutos.

Ao descer em Shibuya, o desafio é achar a saída em frente à estátua do cãozinho Hachiko. Quem viu o filme “Sempre ao Seu Lado” (2009), com Richard Gere, conhece bem a sua história.

Nos anos 1920, Hachiko ia todos os dias esperar seu dono, o cientista Hidesaburo Ueno (1870-1925), na estação de Shibuya. O homem sempre voltava no mesmo trem, no fim da tarde. Um dia, não chegou: sofrera mal súbito enquanto trabalhava no departamento de agricultura da Universidade Imperial de Tóquio.

Hachiko passou então a ser cuidado pelo ex-jardineiro de Ueno, mas por anos continuou a ir até a estação no fim da tarde para esperar o cientista.

Só que não é tão fácil achar a tal estátua. 

Após desembarcar no lado errado, o repórter entra em uma loja de departamentos de seis ou sete andares, cujo acesso fica no piso subterrâneo. Após subir escadas rolantes e só desembocar em seções de lingerie e artigos para casa, conclui-se que é melhor fazer o caminho de volta.

Ao chegar à rua, nada de Hachiko. O cão de bronze está na outra extremidade da estação, segundo um aplicativo de mapas. O jeito é se conformar e seguir adiante. O cruzamento famoso está a 250 metros.

Prédios com luminosos ao estilo Times Square são a moldura do local. Ao nível do solo, multidões se cruzam a cada três minutos, e só os turistas esbarram uns nos outros enquanto gravam vídeos na travessia.

Há restaurantes simples e cafeterias nos arredores de Shibuya. Ainda não é hora do almoço, mas o fuso horário trocado obriga a uma parada para um lanche. A guloseima escolhida é uma pizza de muçarela em uma lanchonete sem glamour.

O luxo está na parada seguinte. O metrô leva de volta a Omotesando, cortado por uma avenida de mesmo nome que liga o bairro a Harajuku.

As árvores pelo caminho disfarçam o trânsito intenso de um dia de semana. As calçadas são largas e planas, convidam a um passeio sem pressa. A travessia das pistas pode ser feita por passarelas estreitas, que são bons lugares para fazer fotos do movimento.

Lojas de souvenir se misturam ao comércio de luxo. O Bazar Oriental oferece todo o tipo de bugigangas, de “kokechis” (bonecas japonesas) feitas na China a quimonos de seda tão caros quanto as roupas na vitrine da Gucci, a quatro quadras dali.

Harajuku é a estação seguinte, mas vale continuar andando pela avenida até chegar lá. Lojas e pessoas passam a ficar mais coloridas pelo caminho.

É um ponto de adolescentes com roupas originais, muitos deles vestidos como personagens de mangás famosos por lá. É outubro, período das festas de Halloween, o que só aumenta a presença dessa turma cosplay na rua.

De volta ao metrô. O destino agora é Nishi-Shinzuku, viagem de 15 minutos com transferência de linha no meio.

O aplicativo do serviço de transporte explica em qual estação descer para trocar a linha F (Fukotoshin Line), em marrom, pela M (Marunouchi Line), em rosa. As letras, as cores e os números nas estações são exatamente iguais aos vistos na tela do telefone.

Uma caminhada de 15 minutos separa a estação do hotel Park Hyatt. No 52° andar desse complexo fica o restaurante New York Grill, que ganhou fama internacional com o filme “Encontros e Desencontros” (2003), de Sofia Copolla.

Além de oferecer uma vista ampla de Tóquio, o lugar oferece shows de jazz todas as noites. O ambiente é refinado, mas não pedante (dispensa paletó e gravata).

O cardápio é ocidental, com muitas opções de carnes e peixes. Os drinques levam a fama, mas a carta de vinhos é das melhores também. Na hora de voltar ao hotel, em Akasaka, o bom senso e a garrafa vazia sobre a mesa recomendam que o melhor é esquecer o metrô e pegar um táxi.

O primeiro destino do dia seguinte é o templo Sensoji, em Asakusa. A região é mais antiga e tradicional, mas, apesar da liturgia, seu entorno é dominado por vendedores de bugigangas. São barraquinhas bem organizadas onde um souvenir sai mais em conta do que em Omotesando.

A viagem de metrô a partir da estação de Akasaka até o templo dura 31 minutos, com uma baldeação.
Sensoji foi erguido no século 7 em culto à deusa budista da misericórdia, que lá é chamada de Kannon. Os portais do templo foram reconstruídos diversas vezes ao longo da história, devido a incêndios e ataques sofridos durante a Segunda Guerra Mundial.

Após conhecer o templo, vale passear por Asakusa e escolher um restaurante tradicional para o almoço. O maior obstáculo será o idioma: o cardápio pode vir só em japonês, e são raros os atendentes que entendem outro idioma. Por sorte, há opções com fotos.

Uma sequência de seis pequenas porções no restaurante Kikko —que tem menu em inglês— custa o equivalente a R$ 230. Há sushi, sashimi e tempurá, mas não espere shoyo em abundância. O molho, quando vem, chega à mesa em um pequeno recipiente, mal dá para molhar um pedaço de peixe cru.

De volta ao metrô, é hora de seguir para Ginza, uma viagem de 17 minutos e dez estações. O tempo de duração aparece no aplicativo do serviço de transporte.

Vitrines de grifes caras voltam a se destacar. Há também grandes lojas de departamento e um prédio inteiro da Uniqlo, marca japonesa de roupas. É a mais tradicional região de compras de Tóquio, mas agrada também aos que só querem andar pela Chuo Dori, tomar um café ou fazer uma refeição rápida.

O mercado de peixes Tsukiji fica a um quilômetro do centro comercial de Ginza. O local passou por grandes mudanças há pouco tempo —não há mais famoso leilão de atum na madrugada—, mas a área externa permanece com restaurantes que abrem cedo, espalhados por ruas estreitas.

O jetlag se manifesta na volta ao hotel New Otani, em Akasaka. É difícil manter os olhos abertos mesmo de pé no metrô, em um vagão lotado. Ao redor, muitos smartphones conectados. Há wi-fi liberado nas estações.

O complexo hoteleiro é também uma atração. Foi construído junto a um jardim de 400 anos e tem cerca de 30 restaurantes. O The Sky é giratório: as mesas vão rodando ao redor do bufê.

Antes de chegar ao New Otani, há tempo de dar uma volta rápida pela loja Bic Camera, que fica aberta das 10h às 22h, todos os dias. São oito andares de eletrônicos, tacos e roupas de golfe, relógios caros e baratos, cosméticos, cadeiras de massagem e capas para celulares.

É a perdição final após dois dias por uma cidade em que tradição e consumismo estão disponíveis em doses fartas.

 

Pacotes

US$ 1.725 (R$ 6.710)
3 noites em Tóquio, na New Age (newage.tur.br)
Preço de acomodação dupla com café da manhã. Inclui city tour, excursão ao monte Fuji, traslados e seguro-viagem. Sem aéreo

US$ 2.166 (R$ 8.425)
6 noites entre Tóquio e Kyoto, na RCA (rcaturismo.com.br
Passeio de três noites em Tóquio e três em Kyoto. Inclui hospedagem com café da manhã. Sem aéreo

US$ 2.196 (R$ 8.540)
6 noites entre Tóquio e Kyoto, na Gold Trip (goldtrip.com.br)
Pacote com três noites de estadia em Tóquio e três em Kyoto, com café da manhã. Inclui traslados e seguro-viagem. Sem aéreo

US$ 2.350 (R$ 9.140)
7 noites em Tóquio, na Maringá Turismo (maringalazer.com.br)
Viagem entre 14 e 22 de maio de 2019. Inclui estadia sem café da manhã, seguro-viagem e aéreo a partir de Guarulhos (SP)

R$ 9.931
4 noites em Tóquio, na Azul Viagens (azulviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem café da manhã. Com traslados e passagem aérea a partir de Campinas (SP)

US$ 2.577 (R$ 10.020)
6 noites, na Flot Viagens (flot.com.br)
Duas noites em Tóquio, uma em Osaka, duas em Kyoto e uma em Hakone. Estadia com café e passeios. Sem aéreo. Saída em 5 de março

US$ 3.448 (R$ 13.412)
8 noites, na CVC (cvc.com.br)
Duas noites em Tóquio e roteiro por Kyoto, Osaka, Okayama, Hiroshima, Matsuyama e Kobe, com uma noite em cada. Inclui passeios e traslados. Sem aéreo

US$ 3.527 (R$ 13.720)
6 noites entre Tóquio e Kyoto, na Abreu (abreutur.com.br)
Três noites de estadia em Tóquio e três em Kyoto, com café da manhã, passeios e aéreo a partir de Guarulhos (SP)

O jornalista viajou a convite da Anfavea

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