Descrição de chapéu férias

Nordeste da República Dominicana é opção para turista que quer preservar distanciamento social

Distante da badalação, região de Miches tem entorno de mata virgem e atrai investimentos da indústria hoteleira

Mulher em balanço à beira da colina no pico da Montanha Redonda, próxima a Miches, na República Dominicana

Mulher em balanço à beira da colina no pico da Montanha Redonda, próxima a Miches, na República Dominicana Renan Marra/Folhapress

Miches (República Dominicana)

Aberta a brasileiros, a República Dominicana tem em Miches, na costa nordeste, opção para o turista que procura fugir de destinos badalados em busca de mais segurança na pandemia. O local, paraíso pouco explorado, alia a beleza do Caribe ao sossego e contato com a natureza.

Recém-descoberta pela indústria do turismo, a pequena cidade com 30 mil habitantes, formada principalmente por agricultores e pescadores, e seus arredores têm recebido investimentos do setor hoteleiro para acolher turistas que preferem lugares mais preservados.

Há um ano, a região ganhou o seu primeiro resort. Mas, por causa da pandemia, as instalações da rede francesa de luxo Club Med Michès Playa Esmeralda tiveram de ser fechadas em março. A reabertura só aconteceu no mês passado, com adequação de medidas de distanciamento, proteção e segurança.

O resort fica a 12 km do centro da cidade de Miches e a 95 km (aproximadamente 1h 15 de carro) de Punta Cana, o destino mais visitado do país.

O deslocamento do aeroporto internacional de Punta Cana pode ser feito com transfer privativo (R$ 293) ou táxi (cerca de R$ 600).

A propriedade está diante de 610 metros de praia, mas o turista pode caminhar por quilômetros a fio na faixa de areia deserta que separa o mar das palmeiras e vegetação ainda virgem do entorno, sem dividir o espaço com outros hóspedes ou vendedores.

Longe da cidade e de outros hotéis, os banhistas podiam preservar o distanciamento social já antes da pandemia.

O mar sem ondas é quente e ideal para crianças ou para quaisquer outras pessoas que queiram relaxar. A água tem diferentes tons de verde, dependendo da incidência da luz solar, que fazem jus ao nome Playa Esmeralda.

A costa de Miches tem areia dourada e batida, surpreendente para quem espera o tom branco e espessura fina de outras orlas do Caribe.

À noite, o céu é um espetáculo à parte. Basta se afastar um pouco das instalações para admirar as estrelas, sem ofuscamento da iluminação de outras cidades.

O ambiente rústico do entorno favorece a proposta do lugar como retiro para recomposição das energias com conforto e calmaria. Basta relaxar na areia e esperar o atendimento dos garçons que andam pela praia.

O Club Med Michès comercializa diárias com o período mínimo de sete noites, que custam a partir de R$ 8.336 para um adulto em janeiro no sistema all-inclusive (com comida e bebida à vontade).

O preço é alto quando comparado a outros hotéis all-inclusive no país. Se pesquisar, o turista pode achar diárias a partir de R$ 500 que não carimbam o conceito de luxo, mas que ajudam a explicar o fato de a República Dominicana ter sido o destino mais visitado do Caribe em 2019, com 6,4 milhões de turistas. Os dados são do relatório mais recente da Organização Mundial do Turismo, divulgado no mês passado.

No conceito "eco-chique", o Club Med Michès é o primeiro da rede francesa na América inteiramente classificado como "coleção exclusiva", o equivalente da marca a cinco estrelas.

Além do luxo, o resort está adaptado à política de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Plásticos descartáveis são proibidos no local, e painéis de energia solar estão sendo instalados. Para garantir uma sensação de imersão na natureza, as acomodações em tons de terracota foram projetadas para não ultrapassarem a altura da copa das árvores.

O ambiente incentiva a busca pelo bem-estar com práticas saudáveis. Ao som de violino tocado ao vivo, os turistas são convidados a treinar a respiração em aulas de ioga que acontecem em uma casinha de madeira erguida na floresta de palmeiras.

No setor de atividades infantis, as crianças conhecem técnicas de reciclagem e têm contato direto com a terra em atividades agrícolas.

Os turistas mais aventureiros podem se divertir em atividades aquáticas que incluem stand-up paddle, caiaque e kitesurfe (de março a setembro, quando os ventos são mais fortes).

Uma das mais procuradas, embora o ambiente convite a atividades que conectem com o interior, é o tecnológico jetsurfe elétrico, uma espécie de prancha com motor e bateria recarregável semelhante à dos carros Tesla. Ideal para águas calmas, o equipamento desliza sobre o mar. A propulsão é comandada por quem está em cima da prancha com um controle remoto.

Algumas das atividades do resort exigem pagamento extra, entre elas cavalgadas na praia (R$ 384 por hora) e curso de mergulho (R$ 2.594).

Quem vai a Miches não pode deixar de visitar a Montanha Redonda, o principal cartão-postal da região. Distante apenas meia hora de carro, o pico da montanha fica a 300 metros do nível do mar. O caminho até o topo é feito por uma estrada de terra íngreme e cheia de curvas. Portanto, uma dica é pegar leve na refeição antes do passeio.

Apesar de não ser um deslocamento fácil, a paisagem é recompensadora. Do alto, os visitantes têm uma vista panorâmica. De um lado, a cordilheira oriental, com montanhas de até 800 metros. De outro, a pequena cidade de Miches, lagoas e o contraste com as águas do mar.

No alto da montanha foram instalados balanços. No movimento a partir da beira da colina, as pessoas têm a impressão de estarem voando, percepção transmitida também nas fotografias.

Apesar da adrenalina, o guia turístico Adolfo Osiris garante que nunca houve um acidente no local. No "balanço do topo do mundo", como é conhecido, os turistas usam uma espécie de cinto de segurança.

A excursão até a Montanha Redonda a partir do Club Med Michès custa R$ 232, com uma hora e meia de duração.

Outros passeios promovem contato com a comunidade local em visitas a plantações de plátano (que no Brasil se assemelha à banana-da-terra), arroz e cacau. Os chocólatras poderão ver de perto a transformação do cacau.

Como medidas de prevenção e segurança na pandemia, o resort suspendeu o sistema de bufê, e as bebidas são servidas em sistema self-service.

A rede também reservou uma área para monitoramento e isolamento de casos suspeitos de Covid-19 e disponibiliza serviços médicos 24 horas.

Em 1978, o Club Med foi a primeira rede a construir um resort em Punta Cana, hoje o destino mais badalado e repleto de opções para os turistas.

Quatro décadas depois, a rede voltou a apostar em uma região isolada, que já desperta o interesse de outras marcas. As empresas Original Group (México) e o Apple Leisure Group (EUA) já começaram a construção de resorts nas proximidades de Miches, com inaugurações previstas para 2022.

A cidade tem temperatura média anual de 25º C. A melhor época para visitar o país é entre dezembro e abril, quando o calor é mais ameno e chove menos. De junho a novembro, há risco de furacões. O dólar americano é aceito em todo o território.

Para atrair visitantes, país oferece seguro médico gratuito

Com o turismo entre os principais pilares econômicos, a República Dominicana está incentivando a entrada de visitantes e oferece um seguro médico gratuito. A medida será válida até 31 de março.

O seguro é ativado no momento do check-in nos hotéis e possibilita atendimento com cobertura de emergências médicas, com consultas, internações e medicamentos em caso de Covid-19.

O país reabriu as fronteiras em julho do ano passado com uma série de medidas de proteção ao coronavírus e de incentivo ao turismo local.

Foi só em outubro, porém, que a companhia aérea Copa Airlines retornou voos conectando o Brasil a Santo Domingo e a Punta Cana.

O país exige no desembarque a medição de temperatura de passageiros. Quem estiver com mais de 38°C ou com sintomas da doença precisa se submeter a um teste rápido e corre o risco de ficar em isolamento.

É necessário também preencher um formulário de saúde e garantir não ter apresentado nenhum dos sintomas da doença nas últimas 72 horas. Não é preciso apresentar teste negativo de Covid-19.

De acordo com a Universidade Johns Hopkins, 2.419 pessoas morreram por causa da doença na República Dominicana até a última terça-feira (5).

O jornalista viajou a convite do Club Med

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