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Cotado para o governo, ministro diz que 'houve extrema violência policial' em SP

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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta sexta-feira (14) em entrevista exclusiva à Folha, que as informações e imagens que chegaram ontem ao governo federal mostram que houve "extrema violência policial" em São Paulo, durante protesto contra o aumento das passagens de ônibus.

"O que também nos parece absolutamente inaceitável. Jamais a polícia pode atuar de forma arbitrária e violenta, como tudo indica que parece ter ocorrido", disse o ministro.

Cotado no PT para a sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB), ele nega que esteja politizando a questão.

Pedro Ladeira/Folhapress
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

"Esta boataria de que eu seria candidato prejudica imensamente esta atuação porque alguns começam a me ver, em quaisquer dos atos, até numa simples oferecimento de apoio em momentos difíceis, como se fosse bandeira eleitoral", afirma.

O ministro diz que, se São Paulo desejar, o serviço de inteligência da Polícia Federal e a expertise de mediação de conflitos civis que a Força Nacional tem estão à disposição.

Perguntado se houve oferta de efetivo policial ontem, ele diz que ofereceu genericamente ajuda a São Paulo. "Como faço a todos os estados".

Leia os principais trechos da entrevista:

Folha- O senhor falou ontem que o governo federal estava à disposição para ajudar, mas não detalhou o que poderia ser feito.

José Eduardo Cardozo - É importante em São Paulo termos claro que o direito de liberdade e manifestação tem que ser sempre garantida. É um valor democrático que tem que ser respeitado. Claro que isso não implica que ao se fazer manifestações possa se agir com vandalismo, como também não autoriza autoridades policiais que ajam com violência. Não podemos concordar com a violência venha ela de onde vier.

Houve momentos diferentes nos protestos? Um antes e depois das ações policiais que atingiram a população e também jornalistas ontem?

Sim. A percepção que nós temos é que algumas pessoas, num primeiro momento, praticaram atos de vandalismo que entendemos ser inaceitáveis. É descabido atos de depredação de patrimônio público e prejudique a vida da cidade. Porém, num segundo momento, que pode ser localizado ontem ao final da tarde e noite, as informações e imagens que chegam é de extrema violência policial. O que também nos parece absolutamente inaceitável.

Houve desrespeito da PM de São Paulo com direitos humanos e liberdade de expressão dos manifestantes?

Veja, acho que violência não se reprime com violência. O papel da polícia deve ser sempre de garantir os direitos e livre manifestação. E também de impedir abusos. Jamais a polícia pode agir de forma arbitrária e violenta.

Como ocorreu ontem?

Como tudo indica parece ter ocorrido. Neste sentido, é muito importante que as autoridades paulistas tomem as providências necessárias para apurar e punir abusos. Acredito que Fernando Grella (secretário de segurança pública de São Paulo) agiu corretamente ao abrir medidas de investigação necessárias para apuração desta violência policial.

O governador Geraldo Alckmin diz que não é necessária ajuda do governo federal que vocês oferecem. O que é essa ajuda?

Eu digo o seguinte: estamos sempre dispostos a ajudar no que for necessário. Cada estado tem sua necessidade, que são diferentes. No caso de São Paulo, obviamente, o que nos for solicitado obviamente teremos todo empenho em atender. Não creio, porém, que São Paulo vai precisar de efetivo policial. Se solicitar, estaremos dispostos a colaborar. São Paulo tem a maior força policial do país.

Mas o senhor chegou a falar ontem em efetivo policial.

Ontem, eu falei que ajudaria naquilo que foi necessário. Não creio, em princípio, que São Paulo vá precisar de efetivo. O seu contingente é, inclusive, superior a de alguns segmentos das Forças Armadas, como a Marinha e Aeronáutica. Mas talvez não seja necessário apoio nessa área. Se São Paulo desejar, o serviço de inteligência da Polícia Federal e a expertise de mediação de conflitos civis que a Força Nacional tem estão à disposição.

Como funciona a mediação?

A Força Nacional tem sido notoriamente conhecida como força de pacificação. A Força é treinada para isso, se for necessário for, estão à disposição de São Paulo.

O senhor entrou em contato com o governador Geraldo Alckmin?

Não, não cheguei a falar com ele. Ele sabe que estamos sempre à disposição. Não só de São Paulo, mas de qualquer estado do país.

Tucanos reclamam que haveria uma politização do caso por parte do governo federal.

Em hipótese alguma. Eu falei que estava à disposição de São Paulo e qualquer outro estado. Há manifestações ocorrendo em outros estados. Recentemente, o governador do Mato Grosso do Sul, André Pucinelli, me ligou pedindo ajuda para o conflito dos índios no Estado. Quando dizemos que estamos dispostos a ser parceiros com São Paulo, vale para São Paulo e qualquer outro estado. Não há perspectiva de politização do problema, ao contrário: são nos momentos difíceis que os entes federados têm que esquecer suas divergências e estarem juntos.

Há quem diga que o senhor está se posicionando neste caso porque é candidato em 2014. O senhor é candidato?

Não, tenho reiteradamente dito isso mas parece que alguns não se convencem. Eu procuro tratar as questões de segurança pública dentro do espírito absolutamente republicano. Aliás, esta boataria de que eu seria candidato prejudica imensamente esta atuação porque alguns começam a me ver, em quaisquer dos atos, até numa simples oferecimento de apoio em momentos difíceis, como se fosse bandeira eleitoral. Quando na verdade tem sido uma postura do Ministério da Justiça, determinada por Dilma Rousseff, desde quando assumi.

Como Dilma tem acompanhado o caso?

Eu informo permantemente a presidente tudo que diz respeito à segurança pública.

Mas neste caso específico.

Eu a informo permanentemente.

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