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Com alta de crimes, carteiros têm escolta em Campinas (SP)

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Terceiro maior município do Estado, Campinas enfrenta uma onda de violência que vai além da maior chacina registrada na cidade -com 12 mortos, há 17 dias- e já provoca mudanças na rotina. Além de um toque de recolher informal em algumas áreas, desde dezembro os carteiros só podem trabalhar sob escolta em certos bairros.

A medida é uma decisão da Justiça, que chegou a proibir até a entrega de encomendas com escolta em áreas mais perigosas após seguidos assaltos a carteiros. Em 2013, foram 190 casos, o dobro de 2012, diz o sindicato da categoria.

O governo de São Paulo disse que o número de homicídios em Campinas reduziu.

Após ser assaltado sete vezes, um carteiro, que pediu para não ser identificado, só faz entregas sob o olhar de dois seguranças com escopeta calibre 12 e pistola 9 mm.

O veto judicial vai durar até que os Correios façam um plano de segurança para os carteiros, que não são os únicos a atuar sob escolta armada.

Segundo empresas de segurança, redes de varejo também têm contratado esse serviço para entrega de eletrodomésticos e eletroeletrônicos em alguns bairros.

Por causa da característica da indústria local (com diferentes montadoras de eletroeletrônicos) e do fluxo de mercadorias em torno do aeroporto de Viracopos, a região virou foco de quadrilhas de roubo de carga. De 2012 para 2013, esse crime avançou 45% na área, ante 8% no Estado.

O número de mortes violentas também está em alta.

Em 2013, houve mais homicídios por 100 mil habitantes em Campinas do que na capital e no Estado. O número deste mês, 28 até agora, mais que dobrou em relação a janeiro do ano passado (13).

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) aponta queda de 5% nos assassinatos em 2013.

Em alguns bairros da periferia, um toque de recolher informal foi a saída encontrada para o aumento de crimes.

"Ficávamos abertos até 1h, mas agora fechamos às 22h", conta Ricardo Ferreira, dono de uma sorveteria. "Às 21h não há mais ninguém na rua."

As regiões mais violentas ficam a até 20 km do centro. As duas áreas onde houve a chacina, por exemplo, concentram 33% da população, 45% dos assassinatos e 15% dos distritos policiais -2 dos 13.

"A sensação de insegurança é geral", diz Isaac Martins, da associação de moradores do Campo Grande. "A população nem perde tempo fazendo boletim de ocorrência, porque sabe que não dá em nada. Investigação aqui é zero."

Para Lauro Luiz Francisco Filho, doutor em geografia urbana da criminalidade pela Unicamp, a cidade está "à mercê do crime organizado", que migrou da capital. "Se o Estado não intervier, chacinas e assassinatos vão continuar."

Editoria de Arte/Folhapress

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