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Uso do 'volume morto' pode acabar com o Cantareira, diz consórcio

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O uso do "volume morto" do sistema Cantareira pode causar um colapso no sistema de abastecimento de água da Grande São Paulo e nos rios do interior do Estado e colocar em risco a economia do país. A afirmação é do Consórcio PCJ, uma associação que reúne prefeituras, indústrias e entidades de 43 cidades da região de Campinas, Piracicaba e Jundiaí.

O "volume morto" é a água que está abaixo dos sistemas de captação dos reservatórios do Cantareira. Esse volume nunca foi retirado e serve como uma reserva, mas recentemente a Sabesp foi autorizada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) a utilizá-lo.

A Sabesp já está fazendo obras que permitam a retirada desse volume, de cerca de 400 bilhões de litros de água. O investimento previsto é de R$ 80 milhões, com início da operação previsto para daqui a 60 dias.

Hoje, o volume útil do Cantareira -sem o "volume morto"- chegou a 15,8% de sua capacidade, o menor patamar desde que foi criado, em 1974.

Nelson Antoine/Parceiros Folhapress
Nível do sistema Cantareira volta a cair; consórcio diz que uso do 'volume morto' pode acabar com o sistema
Nível do Cantareira volta a cair; consórcio diz que uso do 'volume morto' pode acabar com o sistema

Nesta terça-feira (11), o Consórcio PCJ se reuniu na Câmara Municipal de Campinas para discutir a crise hídrica do sistema Cantareira. Estiveram presentes técnicos do grupo, promotores de Justiça do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), do Ministério Público Estadual, especialistas convidados, políticos e representantes da sociedade civil.

Para José Cezar Saad, coordenador de projetos do consórcio, não é recomendável usar a reserva. "O ideal seria adotar o racionamento, sem dúvida. O governo do Estado conta com essa carta na manga [o 'volume morto'], mas ela não deveria ser utilizada", diz Saad. "A finalidade do 'volume morto' é exatamente não ser utilizado."

Saad afirma que, se o volume de chuvas e o consumo de água atuais do Cantareira se mantiverem, o volume útil do sistema se esgotará no fim de maio. E, em junho, será necessário utilizar a reserva.

"É um risco muito grande a utilização do 'volume morto'. Dependendo da quantidade de chuva e do volume utilizado, o sistema Cantareira pode nunca mais se recuperar como um todo", afirma.

Para Antonio Carlos Zuffo, diretor do departamento hídrico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), um racionamento hoje pode evitar uma "catástrofe" no período de seca, entre abril e setembro. "Tem de gerenciar o recurso hídrico para evitar um mal maior."

Zuffo afirma também que a falta de água pode colocar em risco a economia do país. "A macrometrópole paulista representa 80% do PIB do Estado e 25% do PIB do país", diz o especialista. "Não estamos gerenciando recursos hídricos, estamos gerenciando uma crise de abastecimento."

Para Francisco Lahóz, secretário-executivo do Consórcio PCJ, "não se pensou na morte do sistema Cantareira". "A economia do Brasil está ameaçada. A insistência em garantir a vazão plena para a capital pode levar ao colapso da Grande São Paulo, Campinas e adjacências."

Lahóz se refere à decisão da Sabesp, com autorização da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), de retirar 31 m3/s de água do Cantareira durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, quando já era evidente a escassez de chuvas.

Na segunda-feira (10), o Consórcio PCJ divulgou uma nota em que critica a ação da Sabesp e dos órgãos reguladores. "A carta é para que São Paulo passe a restringir radicalmente a sua retirada [de água do Cantareira], que seja com racionamento", diz o secretário-executivo. É preferível racionar agora e manter uma reserva estratégica para a estiagem. Não podemos colocar as duas regiões com o maior PIB do país [São Paulo e Campinas] em um risco de calamidade."

O Consórcio PCJ é um órgão consultivo, que faz estudos técnicos para embasar decisões políticas de seus associados e não tem poder de vetar as decisões do governo estadual.

OUTRO LADO

Procurada, a Sabesp informou que segue as determinações da ANA, que é federal, e do Daee, estadual, e que investe "de forma contínua e planejada em ações de fornecimento de água".

Ela cita a construção de um novo sistema produtor de água (São Lourenço) e diz que "está tomando todas as providências para manter a normalidade do abastecimento dos 20 milhões de habitantes na Grande São Paulo". A previsão é que o novo sistema fique pronto em 2018.

Em nota, o Daee afirmou que trabalha para zelar pelo interesse de todas as partes envolvidas. A ANA não quis se pronunciar.

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