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Diretor de "Pedalando com Molière" pensa em adaptar o filme ao teatro

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Os ensaios dos dois personagens principais de "Pedalando com Molière" se destacam tanto que o diretor, Philippe Le Guay, 56, considera a possibilidade de adaptá-lo para o teatro.

No filme, Fabrice Luchini interpreta Serge Tanneur, um famoso ator aposentado após uma profunda depressão. Ele é procurado pelo personagem de Lambert Wilson, Gauthier Valence, astro no auge da popularidade por causa de um seriado de TV, para dividirem o palco em "O Misantropo", de Molière, um dos mais importantes dramaturgos franceses.

Tanneur resiste em voltar a atuar, mas propõe que ambos ensaiem por alguns dias, para que possa tomar sua decisão.

"Penso em escrever uma peça, focando nos dois atores, em seu relacionamento", afirma Le Guay. "Poderíamos ir mais fundo nas cenas e teríamos muito mais Molière", declara.

Divulgação
Fabrice Luchini (esq.) e Lambert Wilson em cena de "Pedalando com Molière", do diretor Philippe Le Guay
Fabrice Luchini (esq.) e Lambert Wilson em cena de "Pedalando com Molière", do diretor Philippe Le Guay

O diretor escreveu o roteiro da produção já pensando em Luchini --com quem já trabalhou em outras três ocasiões. No entanto, descarta a ideia de contar com ele e Wilson na possível peça.

As gravações do filme, que faz parte da seleção do Festival Varilux de Cinema Francês, foram realizadas na própria ilha de Ré, na costa atlântica francesa, local em que Tanneur vai para se isolar do mundo.

Segundo Le Guay, o papel de Luchini é muito diferente da colaboração anterior dos dois. Em "As Mulheres do 6º Andar", o ator fazia um romântico. "Agora ele interpreta um homem com raiva, cheio de amargura e que pode ser muito cruel", declara o diretor. "É muito desafiador colocar o mesmo ator em personagens tão distantes", diz.

O diretor afirma que Wilson também fez um ótimo trabalho. "Gosto muito dele no filme, da maneira como ele brinca com sua própria imagem", afirma.

"Wilson é inteligente o suficiente para aceitar a ideia de que não será bom em uma cena", declara, usando como exemplo o momento no filme em que Valence é ridicularizado pelo colega por inventar um passado para seu personagem na peça, que o faz mancar.

"Isso é algo artificial, não vem de dentro. Vem da cabeça", declara o diretor. "Com Molière, isso não faz sentido. O público entende que ele [Valence] não é um ator ruim, apenas toma decisões erradas", diz. Para o Le Guay, dirigir e atuar é isso: não se apoiar em subterfúgios,"mas encontrar as emoções necessárias em si mesmo".

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