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Livro disseca quadro 'Batalha do Avaí', de Pedro Américo

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Num dia de chuva, tropas fardadas de brasileiros, argentinos e uruguaios derrotaram com brutalidade soldados do Paraguai maltrapilhos, no meio deles crianças, velhos e mulheres, à beira do riacho Avaí, no país vizinho.

A batalha, em 11 de dezembro de 1868, foi o momento decisivo que levou à vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, que durou de 1864 a 1870.

Análise: Na batalha, Pedro Américo pode ser desculpado por não ser realista

Quatro anos depois, o artista Pedro Américo, morto em 1905, começou a pintar um quadro monumental, com 11 metros de largura.

Jaime Acioli/Divulgação
Detalhe do quadro 'A Batalha do Avaí', de Pedro Américo, mostra soldado paraguaio ameaçando brasileiro com uma lança
Detalhe do quadro 'A Batalha do Avaí', de Pedro Américo, mostra soldado paraguaio ameaçando brasileiro com uma lança

"Batalha do Avaí" colecionou um número de leituras tão vasto quanto suas dimensões. Em um livro lançado agora, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz disseca a tela do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, e aponta a ambiguidade do projeto de Américo, já que, mesmo bancado pelo imperador, seu quadro foi visto como um manifesto antimonarquista.

Para se firmar como pintor da corte, Américo decidiu retratar uma batalha recente, ainda fresca no imaginário do povo e com repercussões que estavam para ser digeridas.

"Ele escolheu esse episódio num contexto nervoso", diz Schwarcz. "A realidade da guerra mostrou que aquilo fora uma chacina, que as tropas haviam dizimado uma população, o que já prenunciava a crise do Império."

E essa crise podia ser discutida por seus principais personagens em vida. O duque de Caxias não gostou de ser retratado com a farda desabotoada. O general Osório, desfigurado por um tiro no rosto, teve a imagem poupada, aparecendo só com um fiapo de sangue da boca.

Retratado em uma colina e distante da batalha, o duque de Caxias personificava o Império, que mandara matar até crianças, enquanto Osório, no meio da luta, mostrava a valentia do Exército, que saiu fortalecido do conflito e pronto para liderar o movimento que levaria à República.

Só o fato de Américo ter continuado como pintor republicano, enquanto seu rival, Victor Meirelles, perdeu o posto com a fuga de dom Pedro 2º, mostra a simpatia que angariou entre opositores da coroa.

'CIVILIZAÇÃO DO BRASIL'

Um dos pontos na tela de Américo que sustenta a tese de que ele se opunha à guerra é a família de paraguaios em primeiro plano, com um velho cego perdido na batalha e uma mãe, com seio à mostra, protegendo um bebê.

Contrastando os soldados brasileiros vestidos e bem armados aos paraguaios seminus, Américo criou uma alegoria, opondo a "civilização do Brasil à barbárie das outras repúblicas latinas", nas palavras da autora do livro.

Américo também rompeu com um "silêncio iconográfico" ao mostrar negros na frente de combate. Até então, eles não apareciam nas pinturas acadêmicas do país.

Nesse ponto, Américo dividiu a crítica --uns o viram como abolicionista, mostrando o sacrifício dos escravos na batalha, enquanto outros não viram nada além do fato de que muitos recrutados mandaram seus escravos em seu lugar.

"Essa pintura virou um pretexto para falar sobre o mundo em que viviam", diz Schwarcz. "Não é de nenhum modo uma arte alienada."

A BATALHA DO AVAÍ
AUTORES Lilia Moritz Schwarcz, Lúcia Stumpf e Carlos Lima Junior
EDITORA Sextante
QUANTO R$ 150 (174 págs.)

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