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Análise: Mesmo se Cristina perder, peronismo vencerá

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Para um país muitas vezes insondável como a Argentina, as eleições legislativas deste domingo não trarão grandes surpresas.

Nem os problemas de saúde de Cristina Kirchner nem o escândalo envolvendo Juan Cabandié, o candidato situacionista na capital que destratou uma policial que deteve seu carro para uma verificação, parecem ter mudado a derrota governista que quase todos antecipam.

Analistas veem um "voto de castigo" contra a presidente, que, com isso, terá bloqueada a reforma constitucional que permitiria se reeleger indeterminadamente.

Mas um aspecto central é que essa derrota não constitui uma derrota do peronismo como formação majoritária, e sim uma derrota do kirchnerismo e da sua forma autoritária de compreender o populismo peronista.

O mistério do peronismo é causa de frequente interrogação. É de esquerda? É de direita?

Na Argentina, diversas explicações são aceitas, por exemplo a de que o peronismo não é coisa alguma, um nome sem conteúdo, uma concha eleitoral.

Essas atitudes evitam a resposta histórica: a de que essa formação política, da ditadura militar de 1943 em diante, vem seguindo percursos ideológicos antagônicos que vão do populismo autoritário dos primeiros governos de Perón (1946-1955) à guerrilha de esquerda montonera e ao neofascismo de extrema direita, que fluem sem explicação conceitual alguma do neoliberalismo de Carlos Menem ao neopopulismo dos governos do casal Kirchner.

Para o bem ou para o mal, e em geral para o mal do ponto de vista da coerência programática, o peronismo (como movimento e mais ainda como forma de fazer e compreender a política) tem a capacidade de se reformular constantemente.

Ou seja, Cristina e alguns de seus seguidores mais famosos perderão o poder no futuro, mas os demais provavelmente se reintegrarão ao projeto peronista do momento. Como se sabe, o candidato "opositor" e presidenciável Sergio Massa foi chefe de gabinete de Cristina.

É possível fazer política e obter resultados na Argentina fora das reformulações históricas do peronismo?

A próxima eleição parece destinada a confirmar a histórica recente. E isso indica que a resposta, por enquanto, continuará a ser não.

FEDERICO FINCHELSTEIN é historiador e professor da New School for Social Research, de Nova York

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