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Tamires Silvestre

O plástico é um problema de todos nós

Cadeia precisa envolver toda a sociedade na busca por soluções para resíduo pós-consumo

Tamires Silvestre

Tenho certeza que você, assim como eu, se sente desconfortável e se remexe na cadeira toda vez que lê alguma notícia sobre danos à vida marinha por conta do resíduo plástico que foi parar no oceano. Para se ter uma ideia, esse material representa metade das 25 milhões de toneladas de lixo que chega aos oceanos todos os anos, segundo o Fórum Mundial da Água.  

Apesar de termos acesso a informações como esta quase diariamente, demoramos para assumir nossa corresponsabilidade como cidadãos e perceber que não lidamos corretamente com o lixo que descartamos em nossas casas. O problema causado pelos resíduos do material também nos diz respeito –e não somente à cadeia de valor do plástico. 

A solução reside em usá-lo de maneira mais inteligente e eficiente sem deixar de lado a economia circular. De grande importância industrial, o plástico deve ser aplicado tão somente nos produtos em que ele seja realmente a solução mais sustentável dentre as disponíveis, considerando, sobretudo, a avaliação do seu ciclo de vida. 

Quando o plástico é a melhor opção

O plástico será a melhor opção toda vez que melhorar a logística, proporcionar ganhos de produtividade, diminuir o gasto energético e/ou a emissão de dióxido de carbono. Ou mesmo em situações em que garanta a conservação e acesso a alimentos, aumentando sua vida útil e gerando menos desperdício.

Conhecemos os benefícios do plástico e, assim, reforçamos que ele deve ser utilizado nas aplicações em que demonstre todo ou grande parte deste potencial.

Para a cadeia produtiva, garantir a produção mais sustentável de uma embalagem significa pensar o resíduo muito antes de ela ser comercializada ou descartada pelo consumidor. Desde o seu desenho, precisamos assegurar que seja desenvolvida já considerando questões imprescindíveis como reutilização, reciclabilidade e eficiência. 

Plástico pode e deve retornar à cadeia

Mas não para por aí. O ciclo de vida de um produto também deve considerar o descarte e a maneira como ele é reincorporado à cadeia –ou não. E é nesse ponto que entra a economia circular. Já estamos vendo diversas iniciativas nesta direção e há um forte compromisso de parte da cadeia plástica por produtos recicláveis e reutilizáveis impulsionados pelos consumidores, hoje mais conscientes e preocupados com seu próprio impacto no planeta. 

Eles enxergam os benefícios trazidos pelo plástico ao seu dia a dia e estão abertos para conhecer e adotar soluções que minimizem este impacto. De acordo com pesquisa global feita recentemente pela Dow com mais de 22 mil entrevistados, a reciclagem é vista como uma solução tão ou mais efetiva que o banimento do plástico em mercados em desenvolvimento. 

Portanto, para resolver a questão, é preciso rever modelos, repensar ações e mudar de rumo. São decisões que requerem coragem e ousadia, além de uma visão de futuro.

Os consumidores já começaram a mudança de comportamento e esperam que o setor plástico, que tanto beneficiou a sociedade nas últimas décadas, embarque nesta nova relação entre consumo e meio ambiente. Estamos certos de que esse é o caminho. Vamos juntos? 

Tamires Silvestre

Gerente de Sustentabilidade de Plásticos da Dow no Brasil

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