Estudo associa consumo de pimenta com menor risco de morte por problema cardiovascular

Por ser observacional, pesquisa com italianos só pode sugerir relação de causalidade

São Paulo

Em um estudo com mais de 22 mil pessoas, cientistas identificaram que o consumo de pimenta está associado a um risco de morte causado por problemas cardiovasculares 34% menor.

Segundo a pesquisa publicada recentemente no periódico científico Journal of the American College of Cardiology, pessoas que consumiam pimenta mais de quatro vezes por semana tinham uma chance de morte 23% menor (considerando outras causas de mortalidade que não os problemas cardiovasculares).

Para câncer, porém, não foi encontrada redução da mortalidade.

A pesquisa, tocada por pesquisadores de universidades italianas, focou-se em pessoas origem mediterrânea.

Cesta com pimentas japaleño (verde), malagueta (vermelha pequena), cambuci (laranja), dedo-de-moca (vermelha grande)
Cesta com pimentas japaleño (verde), malagueta (vermelha pequena), cambuci (laranja), dedo-de-moca (vermelha grande) - Maria do Carmo/Folhapress

Segundo os cientistas, os resultados encontrados vão ao encontro de outras duas grandes pesquisas sobre o tema. Uma chinesa, com cerca de 500 mil homens e mulheres, demonstrou que o consumo diário de comida apimentada estava associada à diminuição em 14% do risco de morte. A outra pesquisa, dos EUA, também encontrou redução de mortalidade de 13% associada à ingestão de pimenta. 

Os pesquisadores indicam que a capsaicina, um composto químico presente nas pimentas poderia, em parte, explicar os benefícios encontrados. Por isso, não seria qualquer pimenta que poderia trazer tais benefícios, mas principalmente as da espécie Capsicum, como o pimentão e pimentas mexicanas como o jalapeño.

Mesmo com essa suposição, ainda não está totalmente claro para os pesquisadores o que levou à associação entre pimenta e menor risco de morte.

Mas não é por isso que você precisa sair comendo pimentas por aí —a não ser que você realmente goste. Trata-se de um estudo observacional e, com isso, a relação de causalidade só pode ser sugerida. Além disso, houve pouco mais de 1.200 mortes no grupo acompanhado.

Por fim, mesmo com o acompanhamento de cerca de 8 anos, as informações sobre os participantes só foram coletadas no início do estudo. Dessa forma, pode ter havido mudanças no decorrer do tempo.

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